As famílias que convivem com o drama de ter um parente desaparecido e vivem numa rotina de busca e esperança podem ganhar um novo aliado. Um projeto de lei de autoria do vereador Luiz Carlos Valle (PSB) pode obrigar os sites de órgãos públicos municipais a divulgar fotos e nomes de pessoas desaparecidas.
A proposta, que não implica em aumento de despesas para a administração municipal, está tramitando na Câmara Municipal de Bauru e deve ser colocada em votação em aproximadamente duas semanas, conforme explica o vereador.
“A Internet é um instrumento poderosíssimo, que pode ajudar na resolução de problemas graves e tristes como esses. A vantagem é que não é preciso criar um site, só um link. Contanto com as autarquias, cerca de cinco ou seis páginas oficiais da cidade poderiam oferecer o serviço”, explica Valle.
A facilidade na elaboração do link foi confirmada pelo assessor de informática e responsável pelo site do Executivo bauruense, Paulo Storto. Segundo ele, em uma semana é possível fazer uma página bem feita para a divulgação dos desaparecidos, que poderá acessada através das já existentes.
“Se o número de casos não for muito alto, eu mesmo posso disponibilizar a imagem e as informações no site. É uma tarefa muito simples, até porque já temos todos os equipamentos necessários”, comenta.
De acordo com o projeto de lei, os interessados em divulgar os dados da pessoa desaparecida deverão procurar Prefeitura ou a Câmara munidos de foto e do boletim de ocorrência.
Fundamental
“A divulgação é fundamental e as pessoas não sabem o quanto é difícil promovê-la. No caso daquele garoto Josiel, consegui mil exemplares de um cartaz na gráfica de um amigo, que se penalizou com a situação da família. Não dispomos de recursos para essa finalidade”, conta o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), J.J. Cardia.
Josiel Dias Cardoso, de 2 anos, está há mais de seis meses desaparecido. Ele sumiu da casa dos avós paternos, no pequeno distrito de Brasília Paulista - que conta com aproximadamente 150 habitantes -, no dia 23 de fevereiro.
Segundo o delegado, apenas 1% dos casos de desaparecimento são de difícil resolução, como esse. Todos os outros são esclarecidos quase imediatamente. Cerca de 12 a 15 registros de pessoas que sumiram chegam à DIG mensalmente.
“Tudo o que vier para ajudar é bem-vindo. Quando divulgávamos o desaparecimento de Josiel, sempre tinha alguém que ligava. Não dava certo, mas nos enchia de esperança. Agora, ninguém mais fala no caso e não recebemos mais informações. A divulgação é realmente fundamental”, desabafa a tia do menino que sumiu em Brasília Paulista, Flávia Cardoso de Souza.