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Uma questão de imagem

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Os espelhos retrovisores de um automóvel são equipamentos tão importantes para garantir a segurança de seus ocupantes que deveriam ser encarados pelos motoristas como verdadeiros “seguros de vida”. Por isso, saber utilizá-los, entender suas diferentes características e mantê-los em bom estado de conservação é essencial para rodar tranqüilo por ruas e estradas.

Uma das primeiras preocupações de um condutor ao entrar no veículo é ajustar a posição dos retrovisores. Nesse sentido, há uma corrente de estudiosos que afirma que manter os espelhos externos em um ângulo de 90º seria a melhor forma de diminuir os chamados “pontos cegos” - locais fora do raio de visão do condutor.

Entretanto, o engenheiro mecânico bauruense Luiz Daré Neto, professor do câmpus local da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ressalta que os motoristas não devem preocupar-se em medir ângulos ao ajustar os retrovisores.

“A pessoa tem de procurar o posicionamento em que ela se sinta melhor no automóvel a fim de garantir total conforto e segurança na hora de dirigir”, recomenda.

Daré Neto revela sua preferência pessoal. “Gosto de deixar os retrovisores externos de forma que consiga enxergar a cauda do carro. É uma posição que me deixa mais à vontade”, frisa o engenheiro. Apesar disso, ele dá dicas de como proceder para ajustá-los de uma maneira geral.

Imagens e manutenção

Outro ponto que merece atenção especial são as características físicas dos retrovisores. Normalmente, a maioria dos automóveis possui espelhos na lateral direita responsáveis por produzir um pequeno fenômeno. Neles, os veículos são refletidos de forma diferente em comparação com o interno e o da lateral esquerda, produzindo imagens que parecem estar a distâncias desiguais.

Resumindo: o mesmo carro que você vê se aproximando pelos retrovisores interno e externo esquerdo parece estar a uma distância diferente se observado pelo equipamento instalado na lateral direita do veículo.

Segundo Daré Neto, isso ocorre devido ao fato do último espelho ser convexo, ou seja, de saliência curva ou arredondada. “Ele é utilizado para aumentar o campo de visão e reduzir os pontos cegos”, destaca.

O engenheiro acrescenta que, se o mesmo retrovisor fosse esférico, seria possível observar até um avião no céu. “Ele só não é utilizado porque haveria incidência de raios solares direto no rosto dos motoristas. Por isso, ele é de formato cilíndrico”, explica.

Já os espelhos interno e externo esquerdo, conforme Daré Neto, são planos, o que os fazem reproduzir imagens na forma e distância reais.

E é justamente por causa destas particularidades físicas distintas que a atenção dos condutores deve ser redobrada em ultrapassagens e mudanças de pista de rolamento.

“Em ambas as situações, o correto é olhar primeiro pelo externo direito, a fim de se ter uma referência do tráfego atrás de seu veículo, e checar a distância pelo interno”, ensina o engenheiro. “Uma avaliação equivocada é um acidente em potencial”, acrescenta.

Já para sair de uma vaga onde o veículo está estacionado, o procedimento é um pouco diferente. “Neste caso, o motorista deve basear-se primeiro no externo, virar o corpo e olhar sobre seus ombros para fugir dos pontos cegos”, orienta Daré Neto.

O engenheiro encerra seus conselhos lembrando que a manutenção dos retrovisores também não deve ser deixada em segundo plano. “Eles devem estar sempre limpos para que consigam refletir imagens com boa qualidade. Além disso, têm de estar sempre íntegros fisicamente. Se quebrarem ou trincarem, devem ser consertados ou substituídos o mais rápido possível”, finaliza.

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