Cansado de rodar de carro por aí sob um sol de rachar mamona? Sofrendo com a ausência de ar-condicionado em seu veículo? Pois, então, seus problemas acabaram graças ao revolucionário “Super New Portable Break Wind Deslocator” das Organizações Tabajara.
No melhor estilo Casseta & Planeta, bem que poderia ser este o comercial de apresentação do invento desenvolvido pelo aposentado bauruense Ruy Valderramas, que construiu um acessório para instalar em seus automóveis de fazer inveja aos exibidos no programa humorístico global. Trata-se de um quebra-vento portátil.
Ruy conta que criou a “engenhoca” para tentar amenizar o calor ao rodar em seus veículos, um Escort 1990 e um Corsa 1998, que não têm ar-condicionado. “Sou muito calorento e sofro demais com as altas temperaturas quando estou andando. Apenas o ventilador interno que os carros possuem não é suficiente”, afirma.
O primeiro passo para o desenvolvimento do acessório foi dado quase que por acaso pelo aposentado, que dobrava uma revista e a colocava lateralmente no vidro para deslocar o ar ao interior do carro. Só que, por ser muito maleável, a publicação não resistia muito tempo à ação do vento. “Comecei a pensar em um objeto mais firme”, relembra o aposentado.
Começava a nascer aí o invento, apelidado por ele de “Quebra-Vento Portátil Ruy Tabajara”. Com a idéia na cabeça, Ruy projetou um protótipo do equipamento feito de zinco e colado com fita adesiva. Na seqüência, levou o esboço à uma fábrica de acrílico com a seguinte recomendação a um amigo: “Precisava de um objeto para prender no vidro e funcionar como um quebra-vento”, conta ele.
Em três dias, a “bugiganga” estava pronta. Com isso, em março do ano passado o aposentado começou a utilizá-la. Entretanto, após circular algumas vezes pelas ruas bauruenses, Ruy notou que o acessório ainda não estava perfeito. “O ar resvalava por ele e perdia-se lateralmente”, explica.
Por essa razão, o aposentado retornou ao estabelecimento onde o quebra-vento portátil foi construído e solicitou a adaptação de uma peça. “Ela precisava ficar presa em um ângulo que possibilitasse o direcionamento do ar ao motorista”, detalha.
Feito isso e resolvido o “problema de projeto”, o aposentado começou a utilizá-lo. Além de ter o ambiente de seus automóveis refrescado, Ruy precisou pagar pouco - cerca de R$ 25,00 - para desfrutar de todos os benefícios do quebra-vento portátil. “É mais barato do que a instalação de um ar-condicionado de verdade”, compara.
O aposentado acrescenta, ainda, que a “engenhoca” é feita apenas para ser utilizada no trânsito urbano. “Na estrada ela não é recomendável, pois as velocidades são muito maiores e, conseqüentemente, o vento em direção ao motorista também, o que pode atrapalhar a condução do veículo”, explica ele.
Gozações
Ser o responsável por uma invenção, no mínimo, incomum exige também de Ruy boa dose de senso de humor, virtude que ele tem de sobra. Basta rodar poucos minutos com o aposentado para saber por quê. Não faltam olhares que misturam sentimentos de admiração e, principalmente, curiosidade.
Mas quando outros motoristas deparam-se com o carro de Ruy devidamente instalado com o quebra-vento portátil, o aposentado é alvo freqüente de gozações. “Certa vez estava no semáforo e parou um carro mais moderno ao meu lado. Os passageiros deste veículo começaram a olhá-lo e já aproveitei para brincar com eles falando que aquilo era um ar-condicionado de pobre”, recorda ele, rindo.
Nem mesmo os amigos de Ruy perdem a chance de “tirar uma casquinha”. “Quando contei pra eles o que tinha criado, eles deram risada e disseram que era coisa de aposentado”, relembra. E, por causa do potencial humorístico de sua invenção, ele já chegou a pensar até em enviá-lo aos “cassetas”. “Quem sabe?”, despista o aposentado.