Nunca como agora esteve em tão alta evidência o termo “globalização” que, usado para exprimir “totalização”, está incidindo especialmente sobre os processos econômicos vigentes no mundo. Contudo, por que “especialmente” só em tal terreno, fundamental para não ser esquecido por governantes e governados, que utilizam a expressão sem parcimônia, mas também sem a intenção de globalizá-la por inteiro? Coincidentemente não haveria outro campo também carente de totalização a fim de atender não só às esperanças das comunidades como às reais necessidades humanas, que não podem ser deixadas à mercê das perspectivas, para que não corram o risco de serem eliminadas da vida das populações se não devidamente aproveitadas em tempo hábil? Certamente que sim e, não há muito, o papa João Paulo II alertou os defensores da globalização econômica de que ela por si só não garante uma distribuição justa dos bens que caibam aos cidadãos dos vários países, competindo-lhes, então, recorrer à co-participação integral da solidariedade humana. Opinou, conseqüentemente, o ilustre prelado, que “o crescimento econômico deve ser enriquecido por outros valores, de forma a se tornar um progresso qualitativo, igualitário, estável e respeitador das individualidades culturais e sociais”. Destacou, ainda, que tal processo não pode separar-se de um investimento nas pessoas e nas capacidades criativas e inovadoras dos indivíduos, coisas básicas de qualquer sociedade. A partir de tais pensamentos e concepções, concluiu João Paulo que a palavra “global” precisa então ser inserida em todas as pessoas, de sorte a partir para uma completa “globalização da solidariedade humana”, através da qual todos os povos consigam entender-se, sem litígios, e se entreajudem com gestos que façam com que a liberdade econômica nunca esteja separada da liberdade social, imprescindível para que o entrelaçamento coloque as populações totalmente livres da penosa escravidão que os mecanismos da produção impõem. A globalização da solidariedade não pode, portanto, ser esquecida por ninguém que aspire ao seu bem-estar e, logicamente, à própria felicidade. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
Agradecemos, comovidos, o artístico cartão, contendo a Honra ao Mérito que nos foi concedida pela Liga Sãocarlense de Futebol pela colaboração que o JC deu à 1.ª Copa de Futebol Infantil e de Adolescentes promovido pela Liga.