Há apenas poucos dias nós, conselheiros gestores das áreas de proteção ambiental de Bauru, comemorávamos a legalização da ampliação da APA Vargem Limpa - Campo Novo, após meses de trabalho intenso, e estudávamos os novos passos, para trabalharmos no sentido de preservar e defender nossas áreas de proteção ambiental. Estarrecidos, hoje, tentamos contabilizar as perdas sofridas por uma atitude inconseqüente, dolosa ou culposa, na destruição de aproximadamente 40 hectares desta mesma APA, que há tão pouco tempo fora motivo de muita alegria.
A pergunta é: o que fazer para que as pessoas entendam a importância da preservação de reservas florestais e o mal que qualquer tipo de incêndio faz ao meio ambiente? Diariamente, podem ser vistos pequenos focos de incêndio, causados por pessoas que, por pura ignorância, acreditam ser esta a melhor forma de renovar pastagens, limpar terrenos ou eliminar lixos ou que, por imprudência ou negligência, provocam queimadas. Será que haverá necessidade de começarmos a ver as pessoas morrendo na rua por excesso de calor, por falta de água, escassez de alimento, doenças respiratórias, pragas e outras causas mais oriundas do descaso ou ignorância dos humanos, para entendermos a gravidade do problema?
A conscientização sobre as questões ambientais ainda abrange um número muito pequeno de pessoas. A educação ambiental das crianças, ainda incipiente nas escolas, não é suficiente. De que adianta ensinar as crianças a preservar e defender o meio ambiente, se, neste ritmo acelerado de destruição, elas não terão o que preservar e defender? A nossa Constituição diz que é dever de todos, sociedade e Poder Público, garantir um meio ambiente ecologicamente equilibrado e saudável para as presentes e futuras gerações. Já está mais do que na hora de nos empenharmos no cumprimento deste preceito constitucional.
Maria Helena Beltrame - OAB-SP 78599, membro do Conselho Gestor de APAs de Bauru e atual presidente do Comdema de Bauru.