Ser

Você gosta do seu nome?

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

Zé, Fia, Lu, Nanda, Ga, fulano ou cicrano. Há diversas maneiras de se chamar alguém, mas a marca registrada de cada indivíduo é mesmo o seu nome. Escolhido geralmente pelos pais, essa denominação, que facilita a identificação das pessoas e as distingue na sociedade, tanto pode agradar quem o carrega, quanto provocar uma sensação desconfortável.

Muita gente pode imaginar que o que mais causa indignação e constrangimento são nomes ousados e diferentes. Ledo engano. Há pessoas que se orgulham da sua denominação, mesmo que ela fuja do convencional.

O aposentado Rocambole (lê-se Rocâmbole) Simionato é uma delas. Morador do município de Arealva, ele é bastante popular na sua cidade. O nome inusitado não o incomoda nem um pouco. “Eu adoro o meu nome. Ele é diferente, único, dificilmente vou encontrar outra pessoa chamada dessa forma”, diz.

Ele não estranha tanto a denominação, pois diz que ela tem origem italiana. “Meus pais são de lá e, para eles, era um nome comum”, salienta.

As brincadeiras (claro!) são inevitáveis. Durante a infância, principalmente, Simionato ouvia muitas piadinhas por causa do seu nome, mas, bem-humorado, nunca chegou a se zangar por conta disso. “Rocambole é uma coisa gostosa, não é? Por que eu iria ficar bravo, então?”, diz.

O nome de Rocambole é o único que se diferencia entre os seus dez irmãos. Os demais possuem denominações mais comuns, como Lauro, Romildo, Osmar, Mafalda e Iolanda. Nem isso provoca algum tipo de sentimento negativo no aposentado. “Eu me sinto único e exclusivo”, brinca.

Para ele, o mais importante nem é o “rótulo” e sim o que ele carrega junto. “O que eu me orgulho é de sempre ter tido o meu nome limpo. Nunca fiquei devendo para ninguém, nunca tive problemas com a Justiça ou qualquer outra coisa que pudesse manchar o meu caráter”, destaca.

Herança da mãe

A professora Loidimara Mariano Rodrigues também não tem muitas “xarás” por aí. O nome dela foi criado pela sua mãe, Loidir Ferreira Rodrigues, que sempre sonhou em ter uma filha chamada Mara. “Como ela achava que assim ia ficar muito simples, resolveu juntar ao nome dela”, explica.

Apesar de ser diferente, ela diz que o adora. “Tem uma história por trás dele. Foi inventado pela minha mãe, com muito amor, e soa forte, bonito”, acredita.

A paixão é tanta que ela resolveu dar continuidade e batizar a filha como Inara Luiza Carvalho Rodrigues. “Eu gosto dessa terminação ‘ara’. É interessante e remete à cultura indígena, da qual o meu pai descende”, salienta.

Ela diz que algumas pessoas têm dificuldade de entender a pronúncia e pedem para que ela repita a palavra, mas isso não a incomoda. “Não vejo problema nisso”, afirma.

O que ela gosta mesmo é da possibilidade de ser chamada de duas três maneiras: pelo nome inteiro (Loidimara), apenas de Loidi ou de Mara. “Dependendo do lugar, as pessoas falam de uma maneira. Em casa, entre os mais íntimos, é Mara. No local de trabalho, Loidi”, destaca.

Casal

Quando a denominação de uma pessoa é diferente, já chama a atenção. Imagine quando um casal tem nomes inusitados? A relações públicas Anauá Carina de Campos Moreira e o marceneiro Adrian Alberto Fernandez compartilham o mesmo lar e o mesmo estilo inusitado de nome. “Quando perguntam como a gente se chama, sempre tem alguém que se espanta”, destaca Anauá.

O nome dela pode até ser diferente, mas o dele tem uma explicação bem formal. Ele é argentino e, em sua terra natal, é assim que se escreve Adriano.

Já ela ganhou a denominação original de seu pai. “Quando eu estava para nascer, ele ouviu esse nome em uma sala de espera de um consultório médico e ficou encantado. Então, resolveu me batizar assim”, salienta.

Ela destaca que adora o nome que tem e que não o trocaria por outro. “Eu já inspirei muitas mães a colocar esse nome nas filhas”, orgulha-se.

O gosto do pai por esse estilo de nome fez com que ele desse a denominação de Anahy para a irmã mais nova da relações públicas. “Você nem imagina a minha felicidade!”, destaca.

Anauá conta que, quando era adolescente, passou por situações um tanto “chatas” por causa do nome, mas sempre teve jogo de cintura para contornar esses casos. Hoje, quando se apresenta a alguém, procura falar claramente como se chama, para evitar ter de repetir. “A pior fase mesmo foi na infância, quando as professoras faziam cara feia quando tinham que pronunciar o meu nome. Mas não chegou a ser nada traumatizante”, conta.

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As tendências através das décadas:

Até a década de 60... Os filhos eram batizados com nomes de santos – Exemplos: Edwirges, Rita, Antonio e José

Entre os anos 60 e 90... Com o advento da televisão, houve uma febre de “estran-geirismos” – Exemplos: Sthefanny, Jennifer, Washington e Dayane

De lá para cá... Os nomes simples e mais “brasileiros” estão em alta – Exemplo: Maria, Alice, João e Pedro

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