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Encontros passam por normas rígidas

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

O processo se repete todos os domingos. Por volta de meio-dia, os parentes dos internos da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) em Bauru começam a chegar à unidade. “Eles entram para a revista. É permitido trazer bolacha, chocolate e doces. Colocamos tudo no saco de pertences dos adolescentes e avaliamos se o que foi trazido pode passar”, revela a diretora da unidade, Maria Aparecida Cavalheiro Bien.

Ela conta que o próximo passo é reunir pequenos grupos em uma sala do prédio. “Converso com os familiares e passo o que aconteceu durante a semana, as dificuldades que a gente teve, a importância deles estarem falando aos meninos que é preciso seguir as regras”, afirma.

A diretora diz que, só então, o contato com os adolescentes é permitido. As visitas duram das 14h às 17h. Para terem direito a elas, porém, os familiares precisam estar cadastrados. “Verificamos se são pessoas positivas para o adolescente e se realmente têm vínculos com ele. Para isso, marcamos uma entrevista durante a semana”, conta a psicóloga Gilda Alves.

Ela lembra que os candidatos são indicados pelos próprios menores. “São eles que escolhem as pessoas que julgam significativas, se é a mãe, o irmão ou outro. Cada um pode incluir três nomes”, explica.

Além das normas estabelecidas pela diretoria, os internos acabam criando o seu próprio regulamento. “No dia da visita, você não pode discutir com ninguém, nem ficar com a camisa para fora. A família vem de longe e precisa ser respeitada. Isso ocorre em qualquer Febem. Quando há visita no pátio, a gente precisa ser avisado para que ninguém fique jogando bola sem camisa”, afirma o adolescente E.E.S., 17 anos, No quadro ao lado, veja estatística sobre as visitas aos internos da Febem.

O menor D.S.O., 17 anos, lembra de outras regras instituídas pelos colegas. “Não pode ter toalha do lado de fora, o quarto tem que estar arrumado, ninguém pode falar alto e nem ter brincadeira de soco”, revela.

Para poder conversar com os menores, encontro este que ocorreu na mesma sala em que a diretora se reúne com as visitas, a reportagem passou pelo rígido esquema de segurança do prédio. Por uma porta, a pessoa tem acesso a um corredor, onde existe um detector de metais. Em seguida, passa por uma nova porta, que finalmente dá acesso ao pátio interno.

Antes de seguir para o local do encontro, a reportagem ainda foi revistada por um dos seguranças da instituição.

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