A indústria farmacêutica e cosmética tem a região de Bauru como fonte para a fabricação de seus produtos. Em Torrinha, uma destilaria é responsável pela extração do óleo de eucalipto, usado como fixador de perfumes famosos. Na mesma cidade, há extração do óleo de candeia, colocado em produtos de higiene pessoal. O óleo de macadâmia é extraído em Dois Córregos. O veneno da cascavel em Tupã e Borebi. Botucatu tem cultivo de plantas medicinais.
As substâncias extraídas das mais diversas espécies de plantas não ficam, em sua maioria, no Brasil. Elas são exportadas para depois retornar ao País já industrializadas, seja numa sofisticada embalagem de perfume francês ou em uma caixa de remédios.
Quem usa perfume Paloma Picasso, Azzaro ou Carolina Herrera sabe que eles fixam no corpo por muitas horas. Aliás, este é o diferencial dos perfumes importados em relação aos perfumes nacionais. O segredo está no fixador. O que poucas pessoas sabem é que este componente do perfume importado sai, em parte, da nossa região.
Uma destilaria com sede em Torrinha (95 quilômetros a Sudeste de Bauru) com filiais em Ubirajara, Marília e Rancharia é que fornece o óleo essencial de eucalipto citriodora, componente principal do fixador de perfumes.
No Brasil, a mesma essência é utilizada somente para desinfetantes e aromatizantes, afirma o diretor da destilaria, Fuad Samir Cury. “Nosso mercado principal é o externo. Nossas vendas são pulverizadas. Comercializamos nosso produto com os Estados Unidos, Alemanha, Suíça, Austrália, Espanha etc.â€
O óleo essencial bruto produzido pela destilaria é vendido por quilo. “O nosso grupo produz 18 toneladas/mês. Trabalhamos com todo o processo. Produzimos a muda, plantamos, colhemos as folhas e extraímos o óleo.â€
O diretor prefere não citar o nome fantasia dos perfumes que levam o fixador. “Trata-se da maioria dos perfumes importados pelo Brasil. O fixador é usado em pequena quantidade, em todos os perfumes.â€
_______________________________________________________
De geração para geração
A extração do óleo essencial de eucalipto citriodora e sua exportação faz parte da história do grupo com sede em Torrinha. “Este ano, completamos 40 anos e sempre extraímos o óleo essencial e exportamosâ€, conta Cury.
De acordo com ele, para a extração do óleo são usadas as folhas. “O eucalipto, com 18 meses, já produz folhas para a retirada do óleo. A partir daí, fazemos um corte por ano até o sexto ano. Com essa idade, a árvore é derrubada. Como o eucalipto rebrota, este ciclo dura 20 anos, quando é feito novo plantio.â€