Nem todas as famílias de alto poder aquisitivo elegem os bairros considerados nobres na cidade como os ideais para viver. Em vez de ostentar riqueza num deles, há quem prefira construir uma casa confortável num bairro popular.
Os fatores que motivam a escolha do bairro são diversos. Vão desde a infra-estrutura e boa localização à familiaridade com a vizinhança e proximidade de parentes, passando por custos e outros.
No caso do projetista Fábio Forato, a história de vida conta muitos pontos. Embora trabalhe em um escritório de arquitetura na Vila Universitária, ele mora no Parque Jaraguá. “Minha mãe veio morar aqui quando eu era mais novo”, explica.
Fábio conheceu a esposa no bairro, casou-se e constituiu família no local. “Na época, a gente achou melhor ficar mais próximo da família. Fui nascido e criado aqui, vivi nessas ruas e tenho um carinho muito grande pelo bairro”, justifica.
Na avaliação do projetista, a vizinhança é bastante “hospitaleira”. Todos relacionam-se bem. “Mas cada um cuida da sua vida”, observa.
O bairro ficou conhecido como um dos locais violentos de Bauru, mas Fábio jamais teve problemas referentes à insegurança. Nunca houve tentativa de roubo ou furto em sua casa.
Nenhum desses argumentos, entretanto, são suficientes para convencer a esposa de Fábio a gostar do Parque Jaraguá. Ela alega que as distâncias até a escola dos filhos e a outros locais que a família freqüenta são grandes. “Sempre é um caminho muito grande. Se não fosse o problema da distância, eu permaneceria aqui”, concorda o projetista.
Quem passa em frente à casa do representante comercial Claudemir Lambert, no Jardim Bela Vista, percebe com facilidade a diferença entre o imóvel e os demais do quarteirão. Ao lado do sobrado imponente do morador, há antigas casas de madeira.
As diferenças não incomodam Claudemir. Ele afirma que relaciona-se muito bem com todos os vizinhos durante os 21 anos em que mora no bairro. “Vim de Londrina (PR) e gostei muito do bairro. É muito tranqüilo.”, argumenta.
Após alguns anos morando no Jardim Bela Vista, o representante comercial decidiu construir seu próprio imóvel. Mudou de casa, mas não mudou de bairro. “Não quero sair daqui do bairro não”, reforça.
“Aqui tem supermercado, igreja, banco. Vou sair daqui para ir aonde? Eu não me acostumaria em outro lugar”, enfatiza.
Na opinião de Claudemir, que nunca foi assaltado ou furtado, os marginais preferem bairros mais ricos para roubar. Ele afirma que todos se conhecem e se respeitam no Jardim Bela Vista. “Eu nunca moraria no Jardim América, naqueles bairros para lá. Aqui o ar parece que é mais gostoso”, diz.
Berço
Jacimara Rodrigues, outra moradora do Jardim Bela Vista, nasceu e viveu durante 32 anos no bairro, que é berço de toda sua família.
Em vez de morar em um condomínio fechado, ela preferiu adotar cão de guarda e cerca elétrica para proteger a casa que mais parece um monumento na rua em que mora. “Acabou acontecendo de eu ficar (no bairro). Eu já era acostumada aqui”, argumenta.
A opinião dos vizinhos sobre sua família Jacimara desconhece. “Não tenho tempo de me relacionar com a vizinhança. É indiferente. Se falam da minha casa, não sei para quem falam”, diz.
Entre casas típicas de núcleo habitacional, a casa de Valéria Bertolini atrai olhares no Núcleo Mary Dota. Ela passou por uma grande reforma antes de receber a família e agora atende todas as necessidades dos moradores.
Valéria afirma que gosta de morar no núcleo. “O bairro é ótimo. Tudo o que é necessário a gente encontra. A vizinhança também é boa. Nunca tive problemas”, conta. O principal aspecto que motivaria a mudança da família é a distância da zona sul, onde os filhos de Valéria estudam. “Gastamos muito com combustível. Se fosse para mudar, eu iria para a região do Estoril.”