O costume de morar próximo a parentes, no local em que a família nasceu, vem de longa data. De acordo com o historiador Gabriel Pelegrina, desde o surgimento dos primeiros bairros de Bauru, os membros de uma mesma família já tinham o hábito de viver próximos uns dos outros.
“Os filhos procuravam ficar sempre perto do chefe de família. Isso é uma coisa muito natural”, conta Pelegrina.
Os ferroviários que chegavam à Vila Falcão, por exemplo, começaram a construir casas umas próximas às outras para ficar no bairro. E assim foram se formando regiões em que predominavam membros de determinadas famílias.
“Como não havia ônibus nem carros, eles iam a pé para o trabalho, devido à proximidade”, explica Pelegrina.
O historiador conta que nasceu na rua Araújo Leite e depois de um tempo construiu uma casa na Vila Falcão, para onde se mudou. “Eu tenho muita amizade com o pessoal de lá e me sentia muito bem cercado de amigos”, expõe.
Mais tarde, decidiu voltar para perto dos pais e dos sogros, novamente no Centro. “Então eu saí da Vila (Falcão) e vim para perto dos meus pais”, diz.
Atualmente, por sentir-se isolado no Centro, que perdeu suas características iniciais, Pelegrina tem planos de mudar-se para outro bairro. “Onde eu vivo passam mais de 100 ônibus por hora. O bairro virou um centro comercial e ficamos isolados quando as lojas estão fechadas”, justifica.
Novos tempos
De acordo com Pelegrina, com o decorrer dos tempos, os filhos e netos foram tomando rumos distintos dos pais e acabavam saindo das vilas para viver mais próximos ao Centro.
Ainda não havia bairros que eram sinônimos de status. Eles surgiram a partir da criação dos bairros nos Altos da Cidade - Jardim Estoril, Vila Régis, Vila Noêmia, Vila Guedes de Azevedo.
“Eram os prolongamentos das ruas norte-sul, como a Araújo Leite, a Antônio Alves, a Gerson França. Lá ficou sendo o norte e até hoje é um centro de um pessoal de status maior. Nunca o status esteve do lado de baixo”, afirma.
Na avaliação do historiador, os status dos bairros de Bauru surgiram na contramão dos núcleos habitacionais. “Evitaram a construção de casas populares em bairros mais nobres, como Vila Universitária, Jardim América, Jardim Panorama e Jardim Aeroporto. Agora é que estão surgindo prédios para o lado do Parque União”, avalia.