Uma confusão entre o secretário municipal de Esportes e Lazer, José Roberto Franco “Sapéâ€, e integrantes do Grupo do Excluídos marcou o encerramento do Desfile da Independência ontem, em Bauru. O tumulto teria começado por causa de um carro de som e acabado com a troca de socos entre Sapé e os membros do Grito dos Excluídos Agnaldo Anastácio da Silva “Lulinha†e Paulo Vieira Lima. Lulinha e Lima registram Boletim de Ocorrência (BO).
O aposentado Alcides dos Santos, testemunha da confusão, contou que enquanto a Banda da escola Ernesto Monte se apresentava, integrantes do Grito dos Excluídos, os últimos no cronograma de apresentação do desfile, entraram na pista do Sambódromo com um carro de som. Com a entrada do grupo, Sapé teria ido conversar com Paulo Lima para esperar o encerramento da banda e não entrar com o carro. De acordo com informações da assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal, havia um acordo de que o Grito dos Excluídos não faria o desfile com carro de som.
Durante o calor das discussões, segundo consta no BO, Sapé teria agredido Lima com dois socos, na barriga e no queixo. Lulinha, vendo a confusão, foi conversar com o Sapé e também teria sido agredido por ele com um soco no olho esquerdo.
Ao final, os integrantes do Grupo dos Excluídos encerraram o desfile acompanhados pelo carro de som. Sapé não foi encontrado para falar sobre o assunto.
A briga envolvendo Sapé e membros do Grupo dos excluídos não tirou o brilho do desfile cívico em comemoração ao Dia da Independência do Brasil. Pelos menos 10 mil pessoas, segundo cálculos da Polícia Militar, estiveram no Sambódromo de Bauru ontem. O diretor de lazer da Prefeitura, Carlos Roberto Campos, informou que, neste ano, aproximadamente 1.500 pessoas desfilaram.
As festividades começaram por volta de 9h, com o hasteamento das bandeiras e execução do Hino Nacional. Em seguida, o grupamento da Polícia Militar e do Exército iniciaram o desfile que, neste ano, seguiu da dispersão do Sambódromo para a concentração.
Segundo Campos, o desfile subiu a avenida por que os dispositivos da Polícia Militar e do Exército deveriam desfilar olhando para o lado direito, no qual as bandeiras ficam hasteadas.
O grupamento especial, formado pelas Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis), foi o segundo a adentrar a pista, seguido por entidades como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e Associação de Pais para Integração Escolar da Criança Especial (Apiece), e pelas instituições de ensino da cidade, incluindo escolas estaduais, municipais e particulares. As últimas apresentações foram feitas pelas bandas do Sesi, Senai, Liceu e Ernesto Monte, por volta das 13h, com a apresentação de três músicas cada uma.
Ao todo, 42 grupos atravessaram o Sambódromo. Todos tiveram a aprovação do público, que não arredou o pé do lacal até o final do desfile.
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Festa popular
O desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em fazer com que a comemoração da Independência do Brasil volte a ser um símbolo da Nação tomou conta das pessoas que compareceram ao desfile na manhã de ontem, no Sambóbromo de Bauru. O forte sol e calor excessivo não foram empecilhos para os bauruenses prestigiarem a comemoração do dia 7 de setembro.
Para a professora de artes Juracy Xavier, no tempo em que os alunos eram obrigados a desfilar, o respeito pela Pátria era maior. Segundo ela, o civismo começava dentro da sala de aula com as disciplinas de educação moral e cívica.
“As crianças tinham mais respeito, as aulas eram dadas por representantes do Exército. Acho importantíssimo que o civismo volte. Todos os dias cantávamos na escola os Hinos da Pátria, da Bandeira e da Cidade. Hoje, isso tudo se perdeuâ€, lamentou.
Para Janice Nazaré Fabre Golçalves, 50 anos, o desfile é um ato importante para o crescimento dos brasileiros. â€œÉ muito importante que o dia 7 de setembro e a Independência do Brasil continuem vivos na memória das pessoasâ€, destacou Janice, que sente saudades dos tempos em que desfilava. “Gostava muito dos desfiles.â€
Maurício Gonçalves, 53 anos, também sente falta dos tempos em que representava as escolas no dia da Independência do Brasil. Para ele, o dia 7 de setembro representa muito para o País e, por isso, é importante que todos desfilem. “Acho que o civismo deve estar sempre na mente das pessoas. A organização das escolas deveria fazer com que as crianças desfilassem desde pequenosâ€, disse.
Mesmo sem nunca ter desfilado, Zenaide de Lima Côrrea, 57 anos, acha de extrema importância os desfiles de 7 de setembro. Segundo ela, o ato cívico traz para as crianças, maior responsabilidade. “O desfile ajuda a criança a ter mais disciplina e mais amor à Pátria e, conseqüentemente, criar maior responsabilidade na vidaâ€, destacou ela.
Mirian Otsuka, 51 anos, foi obrigada a desfilar diversas vezes quando criança. Hoje, ela sente falta, mas acredita que o ato civil não vai mudar as crianças. Para ela, o mais importante é a educação nas escolas. “Não acho legal obrigarem a desfilar, acredito o melhor é que esse desejo de representar o País surja espontaneamenteâ€, finalizou.