Tribuna do Leitor

A VERDADEIRA ESTÓRIA DE KUBANAKAN


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Se alguém duvida que esta cidade existe e que não é ficção de novela da Globo, deveria visitar uma certa cidade no nosso grande Brasilzão. Era uma vez uma cidade onde os bichos comandavam. Eram do reino animal. Os pobrezinhos estavam preocupados porque a cidade tinha sido arrasada por um animal de tentáculos indescritíveis e na eleição votaram para eleger como rei o gato. Elegeram também alguns outros bichinhos para fazer parte do parlamento. Neste parlamento, então, tinha de tudo. Tinha gatinho manhoso, tinha onça parda de rugido estridente (que se achava eminência parda), tinha gorila, tinha serpente, tinha hipopótamo, asno, bode, ratinhos, etc, enfim, tinha uma série de representantes da sociedade animal.

O gato era muito bom, muito correto, muito equilibrado e, embuído de boas intenções, procurou reconstruir a cidade com organização e trabalho, dentro de um pensamento de paz e tranqüilidade. Mas como os interesses entre os animais são muitas vezes pessoais, logo o gato foi procurado por alguns animais que queriam cargos para seus cabos eleitorais. O gato achava que isto não era correto e, entre outros pedidos muito menos nobres que se houve falar, negou-se a atender os pedidos dos animaizinhos chorões, devidamente parlamentados. Isto bastou para que alguns bichos ficassem enfurecidos e se reunissem para decidir: vamos ser oposição e atrapalhar o gato, afinal, ele é um quelônio!!!

Conversa vai, conversa vem, decidiram pressionar mais um pouco com o gato, prá fazer prevalecer as suas vontades, que nem sempre era a vontade do povo. Conversa negada, pedidos pessoais indeferidos, os bichinhos novamente se reuniram: vamos começar a caçada!!! Por um motivo qualquer, arrumaram um jeito de caçar este gato que só queria o bem da cidade, que só trabalhava para interesses coletivos, que era o símbolo da presteza coletiva em todos os seus anos de idade.

Reunido o safari, empreenderam a caçada. Alguns de forma furiosa, alguns dissimuladamente, alguns com a maior cara de pau mesmo, saíram na empreitada. Os demais animais da cidade ficaram atonitamente assistindo o quebra pau, o descontrole e a ganância. Dizem até (mas não provam), que os alguns não tão nobres integrantes do safari estão visitando escondido a casa do gato e tentando fazer algum tipo de acordo, negociando o precioso rifle na obtenção de vantagens. É claro que nesta fauna tem os bons animais. Aqueles mais conscientes e preocupados com o bem estar coletivo. Destes é que depende o futuro do reinado animal. A estória ainda não acabou. O safari ainda está na empreitada.

A população animal do reino, no entanto, aguarda o fim da fuzarca, para ver quais são os bons bichanos, os conscientes e verdadeiramente interessados no bem estar do reino. A cidade não quer troféu de safari. A cidade quer dignidade, pacificação e trabalho, que é coisa que o gato faz muito bem. Coisa que o gato demonstrou a vida toda que faz com amor e devoção. (Jacqueline Didier).

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