Economia & Negócios

CUT quer auditoria em déficit tarifário

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) de Bauru quer uma auditoria na Câmara de Compensação Tarifária (CCT) do sistema de ônibus circulares da cidade, além de uma revisão nos contratos de concessão em vigor. Ontem, o coordenador da CUT em Bauru, Paulo Vieira Lima, foi taxativo ao afirmar, também, que a entidade é contra um aumento de tarifa.

Com os pedidos de auditoria e revisão de contratos, a CUT pretende levantar os motivos que levaram ao déficit da CCT e, ainda, identificar as cláusulas nos contratos de concessão que seriam prejudiciais aos cofres públicos e ao planejamento do sistema.

Entre outras, essas propostas foram aprovadas por dirigentes de vários sindicatos ligados à CUT para a elaboração de um documento. A intenção da central é discutir o déficit da CCT - hoje calculado em R$ 5,315 milhões - com diversos setores da sociedade, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e associações de moradores. A assembléia está prevista para o dia 23, às 14h, no auditório da Delegacia Regional do Trabalho (DRT).

O déficit da CCT também deve ser discutido amanhã, em audiência pública chamada pelo vereador João Parreira de Miranda (PSDB). Segundo cálculos da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) feitos sobre a planilha de julho, a tarifa de ônibus, que custa R$ 1,20 desde dezembro, última deveria custar R$ 1,51 durante 12 meses para quitar a dívida.

De acordo com informações da própria Emdurb, o déficit da CCT avança de R$ 600 mil a R$ 700 mil por mês. O presidente do Conselho de Usuários do Transporte de Bauru, Rubens Roberto de Souza, afirma que, somente neste ano, a administração municipal já destinou R$ 3,5 milhões dos cofres públicos para sanar a dívida.

Propostas

A CUT defende outras medidas de curto prazo para o transporte coletivo urbano. Os sindicalistas rejeitam aumentos de tarifa ou de subsídio antes que haja um planejamento amplo de todo o sistema, assim como são contra a circulação de ônibus sem o cobrador, ainda que seja implantada a catraca eletrônica.

Para médio prazo, o documento sugere a adoção de veículos mais leves e de maior capacidade rotativa - como vans - em subsistemas que serviriam de “abastecimento” para veículos maiores. Esses tópicos já haviam sido apresentados pelo diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, MS e MT Roque José Ferreira na 1.ª Conferência das Cidades, em agosto.

Segundo Ferreira, outro motivo apontado como prejudicial com um eventual aumento da tarifa é a chamada “fuga do sistema”, isto é, quanto maior a tarifa, menos usuários - o que, no caso específico de Bauru, traria ainda mais déficit ao sistema de compensação. “Isso é uma bola de neve”, diz.

Um estudo do sindicato mostra que, acompanhando a tendência de outros grandes centros urbanos, o bauruense está se movimentando cada vez menos dentro do espaço urbano e cada vez mais a pé. Por outro lado, quem tem carro não vê vantagens em se movimentar por meio do transporte coletivo.

De acordo com a lesgislação vigente, o reajuste no preço do bilhete de ônibus pode ser decretado pelo prefeito em qualquer época do ano, contanto que o novo valor seja divulgado no Diário Oficial do Munícipio um mês antes de entrar em vigor.

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