Cultura

Leoni 'toma a vida de volta' em novo álbum

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de diversos sucessos emplacados com o Kid Abelha e os Heróis da Resistência, dois grupos dos quais fez parte nos anos 80, Carlos Leoni Rodrigues Siqueira Jr., o Leoni, resolveu lembrar (ou informar) o público que muitos dos hits daquela época que ainda são conhecidos e cantarolados hoje em dia têm a sua mão.

Em julho, o cantor lançou o disco “Áudio-Retrato”, subintitulado “Auto-Estrada, Registros da Minha Vida Emprestada”, no qual resgata suas antigas composições. Leoni esteve em Bauru na última semana apresentando o CD no Sesc. Após o show, o cantor concedeu uma entrevista ao JC falando sobre o trabalho. A seguir, os melhores trechos.

Jornal da Cidade - Por que a opção pelo formato acústico? Leoni - O disco tem músicas de vinte anos atrás e tem músicas mais recentes, então não havia um formato que pudesse ser usado com músicas tão diferentes. O única coisa que estabelecia uma linha era o fato de que eu compus tudo com violão e voz. Então fiz o disco apenas com violão e voz e alguns outros instrumentos só para dar um colorido, uma riqueza. Eu gravei todo o vilão e voz primeiro e os outros instrumentos vieram depois. Então partiu tudo das composições.

JC - Por que a decisão de resgatar esse repertório? Leoni - O ano passado, divulgando o disco “Você Sabe O Que Eu Quero Dizer”, eu fiz muitos shows em universidades e quando eu tocava essas músicas o pessoal depois vinha dizer: “puxa, que legal você tocar a música do Cazuza, do Kid Abelha, dos Heróis da Resistência...”. Eles não sabiam que as músicas eram minhas. Então eu achei que depois de vinte anos era bom me apropriar desse repertório e dizer: essas músicas são do Cazuza, do Kid Abelha, dos Heróis da Resistência, mas também são minhas. Resolvi botar tudo junto e por isso o disco se chama “Áudio-Retrato”, é a minha cara musical.

JC - Incomoda o fato das pessoas associarem essas canções primeiro aos grupos dos quais você fez parte ou aos seus parceiros de composição? Leoni - Se eu continuo fazendo música é porque em algum momento da minha carreira eu criei sucessos. Porque esse é um mercado muito cruel, se você não faz sucesso é chutado pra fora. Eu sou muito grato a essas gravações, só acho que está na hora das pessoas saberem que eu sou compositor também. Mas não fico nem um pouco chateado quando as pessoas lembram das gravações originais. São canções que ficaram na cabeça das pessoas. Eu me orgulho.

JC - Como tem sido a recepção pelo público? Leoni - Boa. Tenho feito shows pequenos, para até mil pessoas. Acho que num ginásio ficaria esquisito esse tipo de som. O ideal para mim é que seja feito num teatro, com as pessoas sentadas.

JC - O seu público tem uma grande porção dos adolescentes dos anos 80? Leoni - Tem muito daquele público que ouviu as músicas na adolescência. Muita gente vem ao camarim para dizer: “aquela música marcou muito a minha vida”. Mas os shows também têm tido muita garotada, talvez por conta do Kid Abelha estar tão popular entre eles. Vejo a garotada cantar músicas que eu nem imaginava que eles conheciam.

JC - Como surgiu a idéia de escrever sobre música no livro “Letra, Música e Outras Conversas” (lançado em 1995)? Você pretende escrever mais livros? Leoni - Eu li um livro americano chamado “Writen in My Soul” pelo qual fiquei apaixonado. O cara entrevistava compositores como Sting, Paul Simon, Bob Dylan, Mick Jagger... Lá eles têm uma literatura muito farta sobre música e aqui no Brasil não tinha nada. Da minha geração, por exemplo, não tinha nada. Achei que era bom registrar isso, como as pessoas compõem, que é o que me interessa. Livro dá muito trabalho e nenhum dinheiro. É quase uma missão. A primeira edição esgotou. Se nenhuma editora se interessar em relançar acho que vou colocá-lo no meu site na Internet assim que ele estiver pronto (www.leoni.art.br).

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