Cultura

Artigo: Viva o rock pau-d'água!

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Desde o lançamento do álbum “Is This It”, dos nova-iorquinos Strokes, há três anos, nenhum disco de estréia de uma banda está sendo tão comentado quanto “Youth and Young Manhood”, dos Kings of Leon (BMG), banda estilo meio country, meio punk oriunda do improvável Tennessee. De fato, a comparação é bastante pertinente: a crítica especializada chama os Kings de “southern Strokes”, ou seja, Strokes sulistas - por “sulista”, entenda-se “caipira”.

Para falar dos Kings of Leon, pode-se começar pela música em si, o que é bastante, ou pelo folclore que já se formou em torno da banda. Vamos pela segunda opção: Caleb (voz), Jared (baixo) e Nathan (bateria) Followill são filhos de um ex-pastor alcoólatra, o tal Leon. Eles e o primo Matthew (guitarra) cresceram juntos, vagando de cidadezinha em cidadezinha às margens do Mississippi, onde o pai fazia suas pregações.

A trilha sonora das viagens, entre um trago escondido e outro, passava por Neil Young e Lynyrd Skynyrd. Mas foi na igreja em que os meninos (eles têm de 16 a 22 anos!) aprenderam a tocar e absorveram a forte - e encantadora - influência gospel do sul dos EUA. Isso fora as roupas e o figurino dignos do filme “Quase Famosos”.

Curioso notar que esse folclore e tudo o que se fala deles é correspondido no álbum. A começar pela levada frenética e objetiva das guitarras de “Red Morning Light”, que abre o disco, a força dos meninos não se esgota até a última faixa. Quando é exigida, a cadência country da bateria dá lugar a um massacre, como se o mundo estivesse acabando em fogo, enxofre e Jack Daniel’s.

Mas a grande sacada dos Kings of Leon é a voz de Caleb, ora arrastada, ora gritando versos ininteligíveis sobre as mulheres que saem à noite com batom cor de cereja, a vida errante de um lugarejo quente a outro e, claro, as noitadas na bebedeira. Bem melhor que a mistura indigesta de guitarras “bravinhas” e hip-hop de boutique que estava tomando conta do cenário pop.

Melhor ainda saber que as rádios estão tocando a faixa “Molly’s Chambers”.

Numa primeira audição, Kings of Leon parece algo que você já ouviu em algum lugar, mas o som é tão intenso e tão, digamos, jovem, que dá até para imaginar que essa “boy band” do Tennessee vai ser legal mesmo quando eles tiverem chegado aos 30 anos.

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