Às vésperas de tomar a decisão se renova ou não o acordo com o FMI, o novo governo, que despertou enormes expectativas na maioria explorada e oprimida de nosso povo, vem se chocar com os servidores públicos, ao impor a ferro e fogo a aprovação da PEC 40 na Câmara dos Deputados. Ao mesmo tempo, ele não dá um passo para fazer a urgente reforma agrária, e cede às pressões dos poderosos de sempre, derrotados nas urnas, a ponto de estar negociando ministérios agora com o PMDB.
Oito meses de governo Lula e o Brasil está numa encruzilhada - e no centro da encruzilhada, o PT. O governo tem seu pilar central no PT. Por isso mesmo, é no PT que se concentram todas as pressões da grave situação que atravessa a nação. Contra as tradições democráticas de um partido fundado “sem patrões” para poder expressar a voz dos que nunca tiveram voz, parlamentares petistas que ouviram o clamor dos servidores públicos e da CUT contra a PEC 40, se abstendo ou votando contra ela, são suspensos e ameaçados de expulsão.
A senadora Heloísa Helena, que ainda nem votou, pois a PEC 40 irá agora em setembro ao Senado sob contestação dos servidores e de todos os seus sindicatos, é igualmente ameaçada de expulsão. Sim, de fato, é a própria existência do PT, tal como foi construído nos últimos 23 anos, que está no centro da situação. Abandoná-lo sem luta, como pregam alguns, para fazer “outro partido” sem a massa de trabalhadores que construíram o PT, traz alguma saída que não seja a dispersão? Dizer, como faz a cúpula do PT, que vivemos no melhor dos governos possível e que, portanto, os petistas ou devem abandonar as bandeiras pelas quais sempre combateram ou devem sair do partido, pode ser aceito?
Não, não pode ser aceito. É isso que afirmaram 2.258 petistas, das mais diferentes origens e trajetórias no PT, que lançaram publicamente em 30 de agosto o manifesto “Resgate do PT”.
O Trabalho se coloca ao lado de todos os militantes que afirmam a vontade da base de reapropriar-se do PT, para que ele seja fiel às suas próprias origens como instrumento de luta emancipadora da classe trabalhadora. Não há tarefa mais urgente nesse momento do que enraizar o movimento proposto pelo manifesto “Resgate do PT”. Cada militante petista de Bauru e região, no seu local de trabalho, no seu bairro, no seu diretório de base, está chamado a ocupar o seu lugar nesse combate.
Roque José Ferreira - RG 9.656.049 - Membro do Diretório Regional do PT/SP