Polícia

Gate detona bomba em caminhão no DI

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

Um artefato explosivo encontrado em um caminhão que transportava óleo de cozinha e estava estacionado na rua Domingos Biancardi, no Distrito Industrial 1, mobilizou a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros de Bauru na tarde de ontem. Oito horas após ter sido descoberta, a bomba foi detonada por três policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), que vieram de São Paulo para executar a operação.

A polícia suspeita que o artefato, que estava no chassi próximo da cabine, tenha sido colocado por uma quadrilha especializada em roubos de carga. “Essa é uma modalidade nova, mas já há alguns relatos de explosivos no caminhão que forçam a parada do motorista na estrada”, revela o tenente William Carlos Padovini, comandante da Base Comunitária Sudeste da PM.

O motorista do caminhão, José Flausin de Araújo, que trabalha para uma transportadora de Rondonópolis (MT), iria descarregar a carga no depósito de uma rede de supermercados da cidade. “Eu encostei aqui em frente à empresa, estava limpando o caminhão e aí eu vi (o explosivo)”, relata.

Ele concorda que possa ter sido vítima de uma tentativa de roubo. “Eu sei de um amigo meu que colocaram uma bomba uma vez, já. Foi do mesmo jeito. É bomba pequena, só para assustar. O cara pára achando que é o pneu, eles chegam e é para roubar a carga”, diz.

A polícia acredita que o explosivo possa ter sido colocado durante a noite. “Segundo o motorista, ele dormiu em um posto de gasolina a 25 quilômetros de Araçatuba. Ficou lá das 22h às 5h e, depois, não se afastou do caminhão”, afirma o tenente Padovini.

A área foi interditada por volta de 12h30. Os policiais fizeram um cordão de isolamento em um raio de 100 metros do veículo, impedindo a passagem de veículos e pedestres. Poucos curiosos se aproximaram do local. O metalúrgico Cláudio de Moraes, que trabalha em uma empresa na mesma rua em que o caminhão estava estacionado, foi um deles. “Eu fiquei sabendo porque vi uma mulher conversando com o motorista”, conta.

O chefe dele, Thiago Augusto Gonçalves, que também observava a movimentação, diz que não acreditou quando o funcionário lhe disse que havia uma bomba no caminhão. “Achei que era gozação”, justifica.

Gate

Os integrantes do Gate, que vieram de helicóptero, chegaram a Bauru apenas às 18h30. Um dos policiais, com um equipamento especial de proteção, se aproximou do caminhão e fez uma vistoria. Depois de uma rápida reunião, o grupo decidiu que o explosivo seria retirado e colocado no meio da rua.

“Foi um trabalho delicado, em função da peculiaridade, já que o artefato estava fixado na carroceria do caminhão. Constatamos que havia uma fonte de alimentação, um pouco de explosivo e alguns materiais pirotécnicos, desses vendidos em casas de fogos de artifício”, afirma o tenente comandante de equipe André Júlio da Costa, do Gate.

O último passo foi detonar a bomba. Para atingir o objetivo, os policiais do Gate utilizaram um canhão de água, que, à distância, faz um disparo em direção ao artefato. A bateria foi separada da carga sem que houvesse qualquer barulho de explosão.

Costa afirma que o material não tinha grande poder de destruição e que é provável ele que tenha sido colocado por assaltantes. “Era pólvora negra e bombinhas que soltam fumaça. Acredito que o objetivo era fazer com que o caminhoneiro parasse. Se você está dirigindo, sente uma pancada e vê a fumaça, a primeira coisa que faz é encostar”, diz.

Ele revela que foi a primeira vez que atendeu a uma ocorrência parecida. “Desse gênero, afixada no caminhão com o objetivo de fazê-lo parar, nunca tinha visto”, declara.

Para o tenente Eros Antônio Pereira, do Corpo de Bombeiros, o que chama a atenção é a criatividade dos possíveis assaltantes. “Vejo que eles estão cada vez mais ousados”, opina.

Segundo o comandante da Base Comunitária Noroeste da PM, tenente Renato Ramos, as últimas duas suspeitas de bomba na região foram em escolas, uma em 1999, em Bauru, e a outra no ano passado, em Agudos. “Em ambas, foram tomados todos os procedimentos operacionais para preservar vidas, mas os artefatos não eram verdadeiros”, relembra.

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