Promover o constante gerenciamento em relação aos riscos de acidente de trabalho é fundamental para qualquer empresa. “Se a empresa tratar a segurança no trabalho como custo, terá baixa produtividade. Se tratar como investimento, certamente aumentará sua produtividade e os riscos de acidente cairão.” A afirmação é de Armando Augusto Martins Campos, diretor da Associação Brasileira de Prevenção de Acidentes.
Ele esteve ontem em Bauru para ministrar três palestras durante o 7.º Seminário Regional de Segurança e Saúde no Trabalho, realizado na sede do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Segundo Campos, qualquer programa de gerenciamento de risco de acidentes está totalmente ligado à maneira de o empregador encarar a importância de investir em segurança.
“Eu fiz questão de ressaltar durante o seminário que o programa de gerenciamento de riscos de acidente passa pelo fato do profissional exercer plenamente sua atividade. Existem especialistas dentro das empresas que conhecem os processos, a parte de manutenção e de produção. Mas quem conhece o desenvolvimento da metodologia de análise de risco é o profissional de segurança”, assinala Campos.
De acordo com ele, que também é engenheiro mecânico e de segurança, as técnicas de análise de risco dividem-se em duas formas: indutiva e a dedutiva. Na primeira, a avaliação parte do elemento que iniciou o processo para então chegar ao acidente. Já a técnica dedutiva parte do acidente para o elemento que o gerou.
Reconhecer condições preexistentes que podem levar ao risco de acidente no trabalho, as defesas do sistema de segurança e as decisões falíveis do setor administrativo também são fundamentais para diminuir os riscos de acidente, tema que também foi abordado com destaque durante o seminário.
“Um dos elementos que desencadeia o acidente é a decisão falível. Um exemplo é o do empresário que decide não capacitar seus funcionários, porque é notório que a capacitação é um ingrediente fundamental para que não ocorram acidentes. Não possuir um método de trabalho adequado também é uma falha latente do processo.”
Campos enfatiza que a segurança no trabalho faz parte do item “recursos” de todas as empresas. A produtividade das mesmas é apenas uma fração desta equação, que ainda é composta pela receita da empresa.
“Se o empregador trata a segurança do trabalho como custo, terá baixa produtividade. O resultado inverso só ocorrerá se a segurança for tratada como investimento porque aí também entrará o componente ‘eficácia’. É preciso sensibilizar a administração de qualquer empresa a encarar o acidente como um risco do seu próprio empreendimento”, observa.
Campos afirma que não existe nenhuma atividade isenta de riscos. “Investir no gerenciamento de riscos e na prevenção de acidentes tem estreita relação com a responsabilidade social das empresas.”