Avaí – Vinte e dois presos da Cadeia Pública de Avaí (39 quilômetros a Noroeste de Bauru) recusaram-se a ser transferidos, ontem pela manhã, ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru. A movimentação teve início por volta das 8h, quando a transferência foi comunicada aos detentos, e só foi contornada no início da tarde, após a chegada de cerca de 30 policiais ao local.
Durante o movimento, os presos permaneceram nas celas. “Foi uma rebelião pacífica, eles se negaram a sair. Foi mais uma desobediência do que rebelião”, explica o delegado em exercício de Avaí, Mario Henrique de Oliveira Ramos.
Segundo ele, os detentos teriam se recusado a deixar o prédio porque hoje seria o dia de visitas no local. O benefício é concedido toda quinta-feira em Avaí.
Com a transferência para o CDP, os detentos terão de passar por uma fase de inclusão, até que possam receber novamente o direito à visita. Nesses primeiros dias, o grupo será submetido a procedimentos de cadastro, exames médicos e avaliação social.
Ramos afirma que, durante o protesto de ontem, foi necessário acionar a PM para garantir a segurança das negociações. “Com mais gente, temos um impacto psicológico maior sobre os presos”, explica. Além dele, o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG/Garra) de Bauru, J.J.Cardia, também esteve no local.
Ramos afirma que, em outra ocasião, um grupo de detentos já havia ensaiado um movimento de resistência à transferência, mas não foi necessário reforço policial.
Já no episódio de ontem, para intimidar os presos, houve mobilização da tropa de choque da PM. Mesmo assim, segundo o tenente Renato Ramos, as negociações ocorreram de forma pacífica, sem registros de força física.
Por volta das 13h, os detentos, que são provenientes de diversas cidades da região, foram escoltados até o presídio. Com a transferência, dos 47 presos que estavam na cadeia, apenas 25 permaneciam até ontem no local.
A única
Segundo o delegado Seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca, toda semana têm sido realizadas transferências dos presos provisórios de Avaí para o CDP. O pedido de vagas é feito ao presídio e os detentos são encaminhados após a autorização.
Atualmente, Avaí é a única cadeia da Seccional de Bauru que está recebendo os presos em flagrante e será a única que continuará em funcionamento. Por isso tem ocorrido uma rotatividade de detentos no local.
Com a construção do CDP, as cadeias de Lençóis Paulista, Bauru, Reginópolis e Pederneiras foram gradativamente desativadas. As demais, de Duartina, Agudos e Pirajuí, que integram a área de abrangência da Seccional, também terão o mesmo destino.
Hoje, os prédios já não estão recebendo presos em flagrante. “Essas cadeias só estão com os presos que lá estavam. E só têm presos condenados”, afirma Ciocca.
O prédio de Duartina deve ser o próximo da lista de desativação, mas segundo Ciocca, ainda não há uma data prevista.