Tribuna do Leitor

Tristeza


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É com muita tristeza que escrevo nesta coluna. Numa noite, há tempos atrás, estava dormindo quando ouvi um sussurro no quarto ao lado. Fui correndo ver o que era e vi minha avó se contorcendo em cãimbras. Imediatamente, comecei a esfregar álcool em seu delicado corpo (na época com 79 anos). Ela gemia e urinava, cuidei até que o dia clareasse.

Coincidentemente, naquele dia ela tinha uma consulta médica no SUS para controle do diabetes. Comentei com a médica o ocorrido, qual foi minha surpresa quando esta me disse que minha avó precisava tomar benerva e comer bananas, que isso era falta de potássio, sem sequer examiná-la. Pouco tempo se passou e como fazia todas as manhãs, por volta de 9h. Telefonei para saber como vovó tinha passado a noite, pois me casei e não morava mais com ela, e ouvi aquele mesmo sussurro dizendo para eu ir logo que ela estava morrendo. Saí correndo em direção à casa dela, peguei-a e fomos direto ao Pronto-Socorro Central. Chegando lá, um médico examinou-a e colocou-a numa enfermaria, dizendo que o diabetes estava alterado. Não concordei com o diagnóstico, esperei quase o dia todo e, quando entrou um médico, pedi que a examinasse. Ele fez de pronto e assustou-se. Pediu um ECG e me disse que o caso dela era gravíssimo, que ela havia infartado e necessitava de cuidados urgentes da UTI. E assim foi feito. Cincoenta dias após ela voltou para casa. Durante essa internação, também fui com meu pai ao PSC, com fortes dores no peito. Diagnosticaram angina e mandaram-no para casa medicado e encaminhado para tratamento no Posto de Saúde do bairro. Lá fizeram exames. E o resultado? 1.200 de colesterol, 800 de triglicerídeos. O que foi feito? Medicação e só.

Há dois meses minha mãe sentiu um formigamento nas pernas, fomos ao Posto de Saúde, que encaminhou para um cirurgião vascular no Ambulatório de Especialidades. Fizemos os exames e nos foi dito que era caso para cirurgia de varizes, pois o formigamento poderia ser causado por um pequeno coágulo que estava nas pernas e que minha mãe ficasse atenta caso o formigamento fosse para os membros superiores (braços), mas que o Hospital de Base não está agendando cirurgias eletivas, que era para voltarmos no mês seguinte. Chegou o dia e o problema persistia. Ainda não havia data prevista para agendamentos, mas como o caso de mamãe não parece ser tão simples, fomos encaminhadas para o Hospital Regional. Consulta foi agendada para sábado, 06 de setembro. Sabe o que nos foi dito? Que minha mãe não tem problema algum.

Agora, eu pergunto à vocês, leitores. Sabe onde estão vovó, papai e mamãe? Papai no cemitério em Jaú desde o dia 17 de maio. Causa da morte? Infarto agudo isquêmico do miocárdio. Vovó no cemitério da Saudade desde 04 de junho. Causa da morte? Infarto agudo do miocárdio. E mamãe está em casa. Até quando?

Karen Cristiane Cesarino Rodrigues - RG. 22.4l6.258

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