Está tramitando no Senado Federal um projeto de lei que obriga alguns locais públicos a dispor de desfribriladores – aparelhos usados na ressuscitação cardiopulmunar de quem teve a chamada “morte súbita” ou parada cardíaca.
A idéia, de acordo com o senador Tião Vianna, autor da proposta, é diminuir a primeira causa de mortes no Brasil. De acordo com o projeto, os aparelhos serão obrigatórios em locais como estações ferroviárias e rodoviárias, portos, aeroportos, centro comercial, templos, e hotéis.
“Em algumas partes do mundo, essa obrigatoriedade já existem em aeroportos, porque diante de uma parada cardíaca, o uso do equipamento é necessário para reverter a situação”, explica o cardiologista Caio Mário de Almeida Pesssoa. Na opinião dele, as pessoas também deveriam ser preparadas para prestar os primeiros socorros.
“Enquanto uma pessoa ajuda a vítima, uma outra deve procurar auxílio especializado, simultaneamente”, explica.
Pensa de maneira semelhante o artista plástico Percy Coppieters. Ele, que enfartou uma vez e sofreu quatro acidentes vasculares, conseguiu salvar duas pessoas através do movimento do tórax.
“As crianças deveriam receber orientação na escola. Não são procedimentos difíceis, mas importantes. Quando eu enfartei, estava sozinho com minhas duas filhas pequenas”, lembra. Com relação à disponibilização dos desfribiladores, ele teme que sejam roubados e usados em ocorrências policiais.
O choque é forte e pode ser perigoso. Desde que exista segurança, acho bom o projeto”.
Já o presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, regional Bauru, André Saab, lembra que só a disponibilização do aparelho não seria suficiente para resolver o problema: o treinamento de seus usuários é imprescindível. “Em alguns aviões, o equipamento já está disponível, mas correto é chamar um serviço de emergência”, enfatiza.
O projeto está tramitando na Comissão de Assuntos Sociais do Senado e em seguida será levado à plenário.