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Cada cabeça uma sentença


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Não fomos nós quem inventamos o axioma que encima estas linhas, assim como não somamos entre os que reconhecidamente o utilizam para exprimir alguma coisa. Nada disso o são, igualmente, todos os demais seres, que aos milhões transitam pelo mundo e trombam com os demais segundo as suas predisposições ou os seus destinos. Quem o diz seria o próprio brocardo, que acompanha a humanidade desde que ela existe, vale dizer-se, desde que o mundo nasceu, inventado e criado por Deus (invenção sensacional, convenha-se!) e por Ele posto a andar, liberto, pelos longos trilhos da existência, sem o dissabor de ser contido por qualquer semáforo. Na ocasião precisa, surgiu a frase na boca descontraída dos primitivos e daí foi irradiada pelos ventos circulantes, inabaláveis por natureza, sem sofrer qualquer hiato ou castigo de estagnação destinada a algum incauto. Conseqüentemente, chega a este moderníssimo 2003 com força total para uso de quantos o desejam ou possam. Ainda agora temos aí, politicamente, um indesmentível exemplo da validade do provérbio, confirmando que, realmente, em cada cabeça existem sentenças diferentes, normalmente antagônicas. Envolve o caso o novo premiê palestino Ahmed Korei que, nomeado com a finalidade de restabelecer a paz em seu país, aceitou o difícil encargo levando na massa cefálica projetos condizentes com a missão nada parecidos com os alimentados pelos altos mentores de Israel e Estados Unidos. Os pensamentos de todos podem equivaler-se - acabar com o terrorismo na região -, mas os métodos do premiê são diferentes dos preconizados pelos que o investiram na elevada função, o que atesta que cada qual tem uma forma de pensar e agir. Evocativamente, defende Korei (não se core falando seu sobrenome), a negociação inteiramente pacífica na maneira de lidar com os grupos terroristas palestinos, enquanto os outros estariam favoráveis ao enfrentamento litigioso dos grupos, com as forças de segurança do país utilizando seus recursos naturais simplesmente. A esta altura de tantos esforços em prol da paz e da concórdia, tem razão a opinião pública internacional de aguardar que os caminhos em que a gravíssima questão virá a ser colocada pelos divergentes sejam aqueles que resultem no desanuviamento dos espíritos, ora embrenhados em lamaçal tendente a tornar a almejada paz cada vez mais distante dos desejos universais, quando o que se deseja é que, instaurado o respeito dos povos, menos vidas venham a ser sacrificadas pela inconsciência e pela violência dos homens de má vontade!

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável pelo JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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