Almir Sater talvez divida apenas com Renato Teixeira um privilégio raro. Até que não gosta da chamada “moda de viola” abre uma exceção para suas canções. A razão é uma só: ele sabe o que faz quando toca o instrumento do qual é íntimo desde a infância.
Sater se apresenta hoje em Bauru, a partir das 23h, na Cervejaria dos Monges, segundo ele, “tocando o que o público quiser ouvir”. “Se for para tocar só o que eu gosto eu fico em casa”, brinca, explicando que nos shows o artista tem que satisfazer o desejo da platéia.
Ou seja, quem for à casa noturna, com certeza vai ouvir “Trem do Pantanal”, “Chalana” e “Um Violeiro”, entre outras, que fizeram de Sater um cantor conhecido nacionalmente e o levaram à carreira de ator em três novelas de grande sucesso.
Hoje, ele garante que a TV é passado. “Agora só vivo para a música e para os shows. Faço muitos shows pelo Brasil, um dia estou no Paraná, outro no Mato Grosso...”, diz, lembrando que faz, em média, cerca de 90 apresentações por ano.
A segurança para colocar um meio tão poderoso como a televisão de lado na sua vida é o reflexo de uma trajetória marcada pela independência criativa e também na vida pessoal. Morando atualmente em São Paulo, ele viveu durante anos com a família em pleno Pantanal, um local completamente insólito para um artista do seu porte, de onde só saia para os shows. “Já ‘tô’ voltando pra lá. É um lugar que eu gosto muito”, diz.
A postura está presente na sua produção, não vinculada à nenhuma gravadora específica. “Sou um artista independente, meu último disco saiu há seis anos. Tenho um CD pronto, mas ainda não sei quando vou lançar”, afirma, deixando claro que o quer fazer no momento é tocar para o seu público. Não deixa de ser uma ótima notícia.
• Serviço
Show com Almir Sater. Hoje, a partir das 23h, na Cervejaria dos Monges. Apoio: Jornal da Cidade. Avenida Getúlio Vargas, 7-50. Informações: (14) 234-7773.
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Biografia
Almir Eduardo Melke Sater é natural de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e desde os 12 anos toca violão.
Formou a dupla Lupe e Lampião, participou do grupo Lírio Selvagem, de Tetê Spíndola, e acompanhou Diana Pequeno, até que em 1981, convidado pela Continental, gravou seu primeiro disco, que contou com a participação de Tião Carreiro.
Em 1986 lançou “Cria”, inaugurando uma parceria com Renato Teixeira, com quem compôs, entre outras, “Trem de Lata” e “Missões Naturais”. Em 1989 abriu o Free Jazz Festival, depois viajou para Nashville, nos EUA, onde gravou o disco “Rasta Bonito”, encontro da viola caipira com o banjo norte-americano.
Convidado para trabalhar na novela “Pantanal”, da TV Manchete, projetou-se nacionalmente, enquanto composições suas como “Comitiva Esperança” (cantada em dupla com Sérgio Reis) e “Um Violeiro” (gravada por Renato Teixeira) estouravam nas paradas de sucesso.
Em 1990-1991 participou da novela “A Historia de Ana Raio e Zé Trovão”, também na Manchete, mas em seguida se afastou da televisão.
Gravou ainda “Instrumental II” (1990), “Almir Sater ao Vivo” (1992), “Terra dos Sonhos” (1994) e “Caminhos me Levem” (1997), além de diversas coletâneas. Voltou a TV em 1996, na novela “O Rei do Gado”.
Fonte: “Enciclopédia da Música Brasileira”, Art Editora e PubliFolha.