Auto Mercado

Inverno é 'vilão' dos choques

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Você se aproxima de seu automóvel e, quando encosta em alguma parte dele, toma o susto: um choque amortece por poucos segundos o local do corpo atingido pela descarga. Pode não parecer, mas tal situação ocorre com freqüência, especialmente durante a estação mais fria do ano, o inverno.

Por que isto acontece? Segundo o físico José Humberto Dias da Silva, professor do câmpus/Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp), trata-se de um fenômeno eletrostático provocado pela baixa umidade do ar, condição climática típica do inverno.

“Nos períodos secos a tendência de objetos, como os carros e o próprio corpo humano, acumular cargas elétricas é muito maior”, explica. Já em outras épocas, quando a umidade é mais alta, o fenômento é raro, pois o ar em contato com o solo se encarrega naturalmente da descarga.

O docente ressalta que os choques ocorrem quando encostamos em partes metálicas do veículo, que possui carga diferente daquela acumulada em nosso corpo. “É uma transferência de cargas. Cria-se uma corrente entre a pessoa e a superfície e, como muitos calçados possuem sola de borracha, um material isolante, o descarregamento ocorre quando vamos entrar ou sair do carro”, afirma.

Mas o que faz os veículos e o corpo humano absorverem cargas elétricas? Basicamente, o responsável é o atrito com o ar ou materiais que potencializam tal tendência agravada nas épocas secas. “A eletricidade acumula-se no automóvel devido ao atrito com o vento e permanece nele por estar isolado pelos pneus. Ela fica em sua superfície externa como se estivesse flutuando”, ensina o professor.

Neste caso, continua o físico, a descarga ocorre quando o motorista toca o chão com os pés e a carroceria com as mãos. “Ele atua como um condutor e neutraliza a carga que estava presente no carro”, compara José Humberto.

Já o corpo “ganha” eletricidade durante o “roça-roça” das roupas, principalmente as de lã e sintéticas, com o tecido dos bancos dos veículos. “Ela acumula na pessoa, que leva o choque após suas mãos tocarem uma parte metálica do automóvel”, diz o físico.

José Humberto salienta também que os choques nos veículos são pequenos apenas na duração, pois na voltagem são intensos. “Eles podem atingir mais de 100 volts. Há descargas que provocam até faíscas e, neste caso, estimo estarem envolvidos cerca de 1.000 volts”, revela o docente. “Eles só não causam problemas às pessoas porque a quantidade de carga acumulada é pequena”, acrescenta.

Por isso, o professor garante que não há motivos para preocupação. “Se alguém já levou um choque no veículo, não se assuste, pois não há problema algum com você ou mesmo com o automóvel. É apenas um fenômeno natural”, frisa José Humberto.

Comentários

Comentários