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Alunos vivenciam realidade de deficientes

Da Redação
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Alunos do primeiro ano do curso de arquitetura da Universidade Estadual Paulista (Unesp) experimentaram esta semana as condições de acessibilidade que a região central de Bauru oferece para as pessoas portadoras de deficiências. Procurando vivenciar os problemas pelos quais passam os deficientes no cotidiano, cerca de 30 estudantes andaram pelo Calçadão da Batista e ruas adjacentes com cadeiras de rodas, muletas e, de olhos vendados, com bengalas e guias.

A iniciativa foi coordenada pelos professores Norma Constantino, Eliseu Areco Rosio Salcedo e Maria Helena Rigitano, que também é secretária municipal de Planejamento. Esta é a quinta vez que alunos do curso são convidados ao exercício prático, que geralmente ocorre dentro da Semana de Prevenção às Deficiências de Bauru.

“Eles estão sentindo a dificuldade dos buracos nas calçadas, da textura do piso, que é escorregadio ou muito irregular. Assim, quando forem projetar algum prédio ou rua, terão essa preocupação com a acessibilidade do deficiente”, explica Rigitano, destacando que a prefeitura hoje exige dos novos projetos urbanísticos pontos de acessibilidade. A herança dos tempos de omissão, porém, permanece.

“Não vemos os deficientes circulando pela cidade, não porque eles não existam, mas porque não têm condições de sair de casa. A dificuldade é muito grande. Agora, temos o sistema de vans para transportá-los, mas isso facilita em termos, porque a pessoa vem até o Centro e depois não consegue circular”, adverte Maria Helena.

A aluna Fernanda Marques relata que, enquanto andava com os olhos tapados e uma guia para deficientes visuais, teve dificuldades com os buracos e pedras nas calçadas. “Já com a cadeira de rodas, as pessoas vieram ajudar, mas algumas rampas são muito íngremes, impossíveis de se subir sozinho. Em um banco mesmo, não tem rampa na calçada e a rampa interna é superíngreme, com um degrauzinho depois. Não adianta nada”, descreve.

Rulian de Mendonça comenta que achou muito importante sentir na pele as dificuldades de um deficiente. “Quando a gente está fazendo um projeto, reclama quando é obrigado a deixar 1,5 metro de espaço (reservado para a passagem da cadeira de rodas), pensa que aquilo vai acabar com a nossa idéia. Mas, agora, a gente vê que tem alguém que vai precisar”, reconhece o aluno.

As universitárias Taís Cassaro e Luciana Higashi contam que tiveram de dar praticamente a volta completa em uma quadra para encontrar uma rampa para sair da calçada. “Conseguimos achar uma rampa para veículo, mas, mesmo descendo por ela, não havia por onde subir do outro lado da rua. Tivemos de sair da cadeira para atravessar a rua andando”, relata Taís.

“Com o exercício, estamos sentindo todas as dificuldades. Com certeza, vamos pensar em toda a acessibilidade nos nossos projetos daqui para frente”, declara Luciana.

O coordenador-geral do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência de Bauru (Comude), Francisco Takao Kajino, acompanhou o exercício e comentou o valor da iniciativa. “Eles serão os futuros planejadores de cidades e prédios. Com esse choque, vão saber a importância de colocar rampas e facilitar o acesso a todas as pessoas”, considerou.

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