A vice-presidente do Legislativo bauruense, vereadora Maria José (Majô) Jandreice, do Partido Comunista do Brasil (PC do B), no melhor estilo do “esqueça tudo que eu disse”, votou contrariamente à abertura de uma Comissão Processante que irá investigar as irregularidades praticadas pelo Executivo na compra de carne para a merenda escolar municipal. E daí? Talvez isso não queira dizer nada. Talvez queira dizer alguma coisa. Evidentemente que a vereadora tem todo o direito e o livre arbítrio de declarar seu voto de acordo com a sua consciência ou do modo que melhor lhe convier (liberdade democrática), mesmo porque a vereadora pode alegar ser esta uma questão de “foro íntimo” e devemos assim respeitar, não obstante a atitude ideologicamente contraditória de sua Ex.ª, que permite-nos alguns reparos factuais e, também, suscita algumas interrogações.
Fato é que a vereadora Majô sempre elegeu-se por partidos de esquerda e toda sua trajetória político-partidária, bem como sua atuação e retórica na Câmara Municipal, sempre pautou-se na observância dos princípios ideológicos de seu partido (marxismo) e na prática destes na defesa dos interesses político-sociais da comunidade. Inclusive por diversas vezes a vereadora escreveu nesta mesma “Tribuna do Leitor” expondo suas idéias, proposituras e reivindicações sociais sempre embasadas nesta mesma convicção política (socialismo). Por isso, é de se estranhar e não dá pra entender o incoerente voto da vereadora nesta questão. e este seu delírio ideológico deve ter feito o esquerdista João Amazonas ter se revirado em seu túmulo e o que diria então o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B) a respeito dessa inversão de valores? Por que, Ex.ª, esta sua repentina mudança de postura e ambigüidade política? A obscuridade dos fatos seria o preço a pagar pela tal governabilidade? Ou melhor, a transparência dos fatos revelaria algum interesse escuso? E o interesse da sociedade e do contribuinte bauruense, como fica? Por que não se investigar um fato que aponta eventuais irregularidades, danos morais à Administração Pública (Executivo e Legislativo) e, possivelmente, algo que afeta seus eleitores e incomoda a opinião pública? Aliás, por falar em eleitores e com o aproximar das eleições municipais (2004) como notadamente a sua base eleitoral é o setor da saúde, nesse sentido como a senhora avalia a precária situação da saúde pública em nosso município e por que este setor, mesmo com o esforço do governo estadual, tem se mostrado insuficiente e muito aquém das reais necessidades da população bauruense? Quais os resultados da atuação parlamentar de Sua Ex.ª nesta área específica? Têm sido satisfatórios? espero que sim. perguntando: ser ou não ser. Vai saber... E como disse aquele comunista: “camaradas, camaradas, negócios à parte”.
A verdade verdadeira é que Bauru já perdeu muito com os erros e desmazelos políticos do passado e o momento exige de toda a classe política posições claras e atitudes firmes na defesa do interesse da coletividade, pois a sociedade como um todo (e Bauru somos todos nós) não tolera mais denúncias de irregularidades do setor público e também esta reconhecida inação do Poder Público ou melhor, este “marasmo” tem que findar-se um dia. Afinal de contas, a carne de alguns pode ser fraca, a cidade pode não ter limites, mas a população já está de saco cheio de “politiquices” e a “lavanderia Bauru” precisa limpar esta cidade de qualquer jeito, custe o que custar e doa a quem doer. O bauruense não agüenta mais tantos “escândalos” e é preciso dar um basta nesta situação que aí está.
Apesar do rigor da crítica (na verdade, é uma constatação), espero que a ínclita vereadora repense, reconsidere seu voto e volte à melhor razão e que estas subjeções não se confirmem. Resta esperar pra ver. Com a palavra a sra. vereadora (Aurélio da Silva Braga - RG 12.912.493)