O governo Lula vem alardeando que o pior da economia nacional já passou. Para sustentar essa colocação se utiliza principalmente do controle da inflação, as recentes reduções da taxa de juros e até mesmo o bom momento do Brasil no comércio exterior.
A grande dúvida é se efetivamente podemos comemorar o fim do ciclo recessivo. Considerando a economia real, a resposta é não. Em uma visão de longo prazo, podemos considerar que o caminho trilhado nos permitirá chegar lá.
O lado monetário da economia vai bem. Os juros em queda, mercado do câmbio em plena tranqüilidade e o governo consegue rolar sem maiores problemas seus compromissos com títulos públicos. O reflexo disso está no nível do risco-Brasil, abaixo dos 700 pontos. A bolsa de valores é outro bom indicativo do mercado de “papéis”: pontuação bem acima do padrão desses últimos anos, atraindo mais de R$ 3,4 bilhões nos últimos meses.
O lado real da economia ainda não sentiu esse bom momento. É certo que a taxa de juros, rebaixada nas últimas reuniões do Copom, criou um novo ânimo que, somado à proximidade do final de ano, pode levar alguns setores, a partir da indústria, a um desempenho melhor do que o observado agora. O grande problema é saber como está a saúde financeira dessas empresas, se é que não fecharam suas portas.
Somos sabedores que a estrutura econômica do país é fundamentada nos monopólios e oligopólios (que possuem forte capacidade de capital para suportar momentos mais agudos da economia) e nas empresas de pequeno porte (com estrutura familiar, com baixa capacidade de recursos). Esse último grupo não se sustenta em momentos tão difíceis como os vividos no primeiro semestre deste ano.
Em resumo: quem sobreviveu até agora poderá recuperar em parte o tempo perdido. Os indicadores do lado monetário da economia caminham nesse sentido. Para garantir firmemente a recuperação juros básicos abaixo de 20% ao ano são fundamentais e ainda se faz necessário implementar ações que garantam o resgate da confiança em longo prazo. Isso pode se sustentar com a aprovação das reformas estruturais e em particular as reformas tributária e previdenciária que, se não são as ideais, pelo menos estão sendo implementadas.
Paciência, talvez essa seja a palavra do momento. (O autor, Reinaldo Cafeo, é mestre em Comunicação, economista, delegado do Corecon e vice-diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru)