Dirigir pelas ruas do Centro de Bauru é uma tarefa que exige paciência dos motoristas. Trânsito lento, excesso de veículos no horário de fechamento dos bancos, dificuldades para estacionar e semáforos são apenas alguns problemas que eles enfrentam. A maioria dos ouvidos pela reportagem elegeu trechos das ruas Ezequiel Ramos e 1.º de Agosto como os mais problemáticos.
“Durante a semana, a rua Ezequiel Ramos, principalmente por volta das 15h30, quando se aproxima o horário de fechamento dos bancos, é complicada”, opina o taxista Marcílio Gabriel, que está há 40 anos na profissão e passa os dias percorrendo as vias da cidade.
O colega dele, Nélson Garcia Miranda, concorda. “O trecho entre os cruzamentos da rua Antônio Alves e da avenida Nações Unidas é difícil. O movimento causado pelos bancos atrapalha. Precisaria de um semáforo ali. A 1º de agosto, principalmente pela manhã, também causa transtornos”, diz.
O motociclista Alexandre Souza da Silva afirma que, apesar do problema, não consegue evitar a região. “Se não for por ali, tem que dar muita volta”, declara.
O gerente de operações do Departamento de Sinalização Viária (DSV) da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Aníbal dos Santos Ramalho, afirma que tem conhecimento do problema no trecho da rua Ezequiel Ramos. “O ponto mais crítico é o cruzamento com a Nações Unidas, tanto que fizemos uma faixa amarela à direita para facilitar quem quer converter”, diz.
Segundo ele, há um estudo para implantar um semáforo no local, mas ainda não há data prevista para que isso ocorra. Ele lembra também que no trecho que antecede o cruzamento com a Antônio Alves, existe a proibição de estacionamento no lado par da rua, o que, na teoria, deveria facilitar o tráfego.
Ramalho acredita que o semáforo existente no cruzamento das ruas Antônio Alves e Presidente Kanedy também serve para amenizar o problema. “Quando ele fecha, há um intervalo bom para o pessoal que está na Ezequiel Ramos passar o cruzamento. É o mesmo caso da rua Araújo Leite. A gente não pode superlotar o Centro da cidade de semáforos. Às vezes, quando você os coloca em um local sem necessidade, acaba atrapalhando”, opina.
Onda verde
O engenheiro do DSV afirma que o sistema de onda verde, em que o motorista encontra todos os semáforos abertos caso transite em uma determinada velocidade, faz com que o trânsito na rua 1º de Agosto flua bem, mas reconhece que nem sempre é assim. “Nos horários de pico, como o final de horário bancário, entre às 15h e 16h, é mais complicado”, revela.
Ele afirma que os motoristas também precisam se adaptar ao sistema de onda verde. “Ele limita a velocidade entre 30 e 36 quilômetros por hora. Você não pode andar a 50 quilômetros por hora, pois vai pegar todos os semáforos no vermelho”, diz.
Ramalho lembra que a via é bastante usada, o que amplia o tráfego na região. “Muita gente quer fazer a alça, descendo a Gustavo Maciel e subindo a Rio Branco. Há uma grande somatória de movimentos”, diz.
O comandante da 4ª Companhia da Polícia Militar de Trânsito de Bauru, Nelson Garcia Filho, afirma que recebe poucas reclamações sobre trânsito lento no Centro da cidade, mas que a maioria das que chegam é com relação à rua 1.º de Agosto. “O pessoal sempre diz que há vários semáforos e demora para passar por ali”, declara.
A assessoria de imprensa da Emdurb informou que, apesar dos problemas de trânsito lento nas ruas do Centro, nenhuma das 700 ligações que o Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU) recebe diariamente diz respeito ao problema. As principais reclamações de tráfego são com relação a radares e instalação de lombadas.
Segundo o engenheiro Ramalho, há um outro ponto do trânsito de Bauru que preocupa a Emdurb no momento, em função dos acidentes de trânsito. “É o cruzamento das ruas 15 de Novembro e Agenor Meira. Mesmo com a parada obrigatória bem sinalizada, os motoristas não a estão respeitando. Temos um estudo mostrando que cabe um semáforo ali e estamos pensando em implantá-lo”, diz.