Política

Sessão começa hoje com atos e paródias

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Às 8h de hoje os portões da Câmara Municipal de Bauru se abrem para recepcionar os interessados em acompanhar o início da sessão de julgamento do mandato do prefeito Nilson Costa (PTB). A vereadora Majô Jandreice (PC do B) vai presidir a sessão que deverá ser longa e, certamente, marcada por manifestações públicas.

Na véspera, grupos políticos contrários e favoráveis ao prefeito já se organizavam, ontem. No início da noite, a escadaria de entrada do prédio da Câmara já recebia faixas em relação ao processo de cassação. Nilson Costa é acusado de omissão, negligência e falta de decoro em irregularidades levantadas em processos de compra de carne para a merenda escolar.

Os preparativos para a sessão de cassação ocorrem dentro e fora da Câmara. Do lado de fora, um grupo de oposição já preparou uma segunda edição de um CD demo com paródias criticando a administração.

Em uma das faixas mixadas, a música satiriza a criação do termo de fiel depositário pela prefeitura. O termo foi utilizado como tentativa de garantia para o recebimento futuro de produtos pagos antecipadamente.

Sindicalistas ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) decidiram, em reunião realizada ontem, distribuir panfletos pela cassação. O Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) marcou manifestação para às 9h de hoje e ato público às 18h na escadaria do Legislativo.

Mas grupos pró-governo também vão marcar posição. Estudantes secundaristas e representantes de associações de moradores estão se organizando com camisetas e batucada. Apesar das movimentações, a grande massa formada por populares deve continuar distante do conflito político.

Segurança

A direção da Câmara tomou medidas para garantir a segurança dos trabalhos e para evitar interrupções. O processo tem pouco mais de cinco mil páginas. A decisão sobre a leitura ou não de todas as páginas será tomada logo na abertura da sessão.

A presidência da Câmara definiu os detalhes para a organização da sessão dentro e fora do plenário em conjunto com a Polícia Militar. O capitão Benedito Roberto Meira conta que a reunião será monitorada do início ao fim.

Segundo ele, a PM vai levar efetivo da cavalaria, canil e tático móvel. Os arredores do prédio e a área interna será guardada por policiais da Base Operacional Centro. “Vamos distribuir 25 senhas para cada grupo, pró e contra. Apenas 50 manifestantes vão entrar no prédio. Vamos mudar a cor das senhas para cada novo dia de sessão”, antecipa.

O capitão ressalta que a população poderá se manifestar nas calçadas, em frente à Câmara. “No início não vamos interromper o trânsito na avenida Rodrigues Alves. Só vamos fazer isso se o número de pessoas for muito grande e por questão de segurança”, conta.

Meira também adianta que não será permitida a presença de caminhões de som em frente ao prédio, na avenida. “Os caminhões de som vão permanecer nas ruas transversais. Vamos colocar viaturas policiais nas calçadas para monitorar”, cita.

A PM vai dobrar o efetivo na parte final da sessão. “Na fase final, próximo da votação, vamos ter inclusive um grupamento de choque”, menciona. Do lado interno, a Mesa Diretora da Câmara vai distribuir agentes de segurança.

Pontos estratégicos do piso superior e do saguão próximo ao plenário serão monitorados por circuito interno de câmeras. O setor administrativo da Casa está orientado para permitir a circulação somente de servidores que prestam serviço nas áreas dos gabinetes, corredores e plenário.

O chefe de Gabinete da Câmara, Gasparini Júnior, informa que a sessão será transmitida ao vivo no período da manhã de hoje, pela TV Câmara, canal 10 da Net. À tarde, o gabinete aguarda definição pela Assembléia Legislativa de São Paulo (AL) que tem sessão ao vivo dos deputados direto de São Paulo. O canal local a cabo é compartilhado com a TV Assembléia.

A emissora legislativa quer garantir a transmissão ininterrupta a partir da etapa final da sessão, quando ocorrem os discursos dos vereadores, a defesa oral e a votação do processo.

Cada vereador terá direito a falar por 15 minutos. A defesa do prefeito tem direito a duas horas. A votação é aberta e por ordem alfabética. Catorze votos favoráveis ao processo cassam o mandato de Nilson. Pelo menos oito votos contrários o mantém no cargo. Se Nilson for cassado, o vice Dudu Ranieri (PFL) assume.

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