Uma pesquisa americana, divulgada pela The Hartford Financial Services Group, desfaz a tese de que os rapazes mais jovens são mais rápidos ao volante e, por isso, estão mais propensos a se envolver em acidentes que as mulheres. O estudo mostrou, ainda, que as garotas também estão pisando firme no acelerador.
No levantamento, 56% das mulheres com idade entre 18 e 24 anos consideraram aceitável dirigir um pouco acima da velocidade máxima permitida nas estradas, enquanto 46% dos homens na mesma faixa etária manifestaram igual opinião. Exemplo disso é que, nas pistas locais, 21% das mulheres costumam extrapolar o limite de velocidade, índice que cai para 13% entre os homens.
Já no quesito acidente, o sexo feminino americano também ultrapassa os rapazes. Segundo o estudo, 45% delas relataram envolvimento em acidentes nos últimos três anos, enquanto 33% dos homens participaram de ocorrências do gênero no mesmo período.
Apesar dos números desfavoráveis, a pesquisa mostrou que as mulheres são mais cautelosas, obedecem mais a sinalização, reduzem a velocidade em caso de pista molhada e não ultrapassam pela direita. Além disso, os homens também costumam ser mais multados. Entre os entrevistados, 45% deles foram autuados por excesso de velocidade, enquanto apenas 37% delas foram penalizadas.
Mas será que tais tendências comportamentais das jovens mulheres verificadas pelo estudo americano também são as mesmas entre as brasileiras da mesma faixa etária? Segundo a psicóloga bauruense Regina Torres, apenas parte dos resultados da pesquisa corresponde à realidade nacional.
Especialista na execução dos exames psicotécnicos obrigatórios para formação de motoristas, função que exerce há vários anos, Regina ressalta não ter verificado um comportamento mais impulsivo ao volante nas mulheres jovens. “Elas não estão correndo mais que os homens. Estão apenas mais desinibidas para encarar o trânsito”, considera a psicóloga.
Para Regina, as jovens estão mais “soltas” tanto para guiar veículos quanto em suas vidas de forma geral, o que não implica, conforme a profissional, em agressividade ao volante. “Essa desinibição da mulher é, sim, uma tendência. Ela está cada vez mais independente e buscando conquistar seu espaço na sociedade”, frisa.
Segundo a psicóloga, por conta disso, a mulher atual deixou de ser aquela que limitava-se a deslocar de casa à escola ou ao trabalho. “Hoje é comum vê-las ao comando dos automóveis em viagens e nos mais diferentes locais”, enfatiza Regina.
Ela destaca, ainda, que o sexo feminino encara os automóveis de maneira diferenciada dos homens. “Elas não ligam tanto para o status e o poder, características normalmente associadas aos veículos e mais valorizadas pela ala masculina. Para a mulher, o carro é simplesmente uma ferramenta de transporte que otimiza sua vida em vários aspectos”, compara.
No entanto, a psicóloga sustenta que o estudo americano confirmou uma tendência existente entre os motoristas nacionais: as mulheres são mais cuidadosas ao volante. Exemplo disso são as estatísticas de envolvimento em acidentes na cidade, que mostram os homens disparados na “liderança”.
Regina destaca não saber as causas que levam as mulheres a terem mais prudência ao comando de um automóvel. “Não sei se é pelo fato de sempre terem sido - e ainda são - repreendidas culturalmente ou por causa do instinto materno”, especula a psicóloga. “Mas é certo que os homens, especialmente os jovens, costumam abusar mais da velocidade”, conclui ela.
____________________
Mudança de perfil
As jovens motoristas entrevistadas pelo AutoMercado&Cia confirmam as considerações da psicóloga Regina Torres: as mulheres não estão correndo mais que os homens, mas mudaram seu perfil no trânsito.
A universitária bauruense Maria Inez de Souza, 22 anos, considera que a mulher tem mais “medo” ao volante. “Elas dirigem mais defensivamente. Vejo isso através das minhas amigas”, ressalta. “Pode até ser que algumas abusem da velocidade, mas os homens ainda correm mais”, acrescenta ela.
Segundo Maria Inez, tal fato não significa que as mulheres possam ser associadas à “tartarugas”. “Elas não são mais aquelas lerdas que ficavam empatando o trânsito, pois estão mais à vontade para dirigir”, defende.
Já outra jovem universitária local, Melina Vaz de Lima, 22 anos, sustenta que a velocidade é uma questão independente do sexo do motorista. “Não acho que as mulheres estejam acelerando mais. Elas estão apenas buscando, e conseguindo, seu espaço na sociedade”, salienta.
Apesar disso, Melina revela que “odeia” que andem devagar em sua frente quando está guiando. “Não ando pela direita nunca, mas sempre presto atenção. É preciso ter responsabilidade”, finaliza a universitária.