A produção de riqueza nos municípios nem sempre é sinônimo de qualidade de vida. Bauru tem conquistado avanços nas condições de educação e saúde, embora apresente pequeno decréscimo na situação econômica. O diagnóstico é baseado no Índice Paulista de Responsabilidade Social (IPRS), elaborado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), a pedido da Assembléia Legislativa.
O resultado do levantamento divulgado anteontem refere-se ao ano de 2000 e classifica Bauru entre os municípios que apresentam os melhores indicadores socioeconômicos estaduais. Todas as 645 cidades paulistas foram avaliadas e distribuídas em cinco grupos. Bauru participa do primeiro, juntamente com outros municípios que apresentam os melhores indicadores.
Foram avaliadas três variáveis: riqueza, escolaridade e longevidade. Na última, a cidade apresentou o melhor desempenho. As taxas de mortalidade apresentaram desempenho positivo, ou seja, caíram, e ficaram acima da média regional.
Graças à queda da mortalidade infantil, da perinatal (após o parto), das pessoas entre 15 e 39 anos e daquelas com mais de 60 anos, Bauru subiu 17 posições no ranking de longevidade. Em 1997, a cidade ocupava o 264º lugar, passando para a 247º em 2000.
Na opinião da diretora do Departamento de Planejamento, Avaliação e Controle da Secretaria Municipal de Saúde, Heloísa Ferrari Lombardi, os índices refletem a busca por alvos definidos para otimizar a condução do atendimento básico de saúde.
“Dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) temos que atingir metas e definir ações para executá-las. Para isso, priorizamos alguns programas, como o “Programa de Defesa da Vida”, que acompanha as crianças em risco”, explica.
Entre outros, ela destaca também o atendimento interdisciplinar voltado à terceira idade. Só em maio, o Programa Municipal de Atenção ao Idoso (Promai) atendeu 1.263 pacientes, sendo que 500 recorreram às consultas médicas e o restante a outros serviços, como o nutricional.
Apesar dos esforços, a médica sanitarista da Direção Regional de Saúde (DIR-10) Tisuko Sinto Rinaldi defende iniciativas mais incisivas por parte do governo para promover a valorização da terceira idade.
Cuidado
“Nossos idosos poderiam ter uma longevidade maior se tivéssemos uma cultura de cuidado para com eles”, enfatiza. Mesmo assim, ela aponta avanços, como o fato do paciente mais velho e ter acesso fácil ao serviço de saúde - o que teria sido conquistado através da municipalização.
Dentre os progressos, Tisuko elenca ainda a criação de programas e equipes municipais para controlar as doenças que mais provocam mortes, como é o caso da hipertensão arterial e da diabetes. Para ela, saneamento básico e campanhas educativas também contribuem de forma determinante para a queda nos níveis de mortalidade, especialmente a infantil.
“Tenho plena convicção de que esse avanço foi obtido através da criação do Sistema Único de Saúde (SUS)”, diz a médica.
A dona de casa Luciana Amaral Bahia, de 75 anos, também elogia o atendimento pelo SUS. Devido à pressão alta e diabetes, ela foi internada e garante ter recebido atendimento de qualidade. “Me trataram muito bem. Não sei se porque sou idosa ou dengosa”, brinca.
Depois de abandonar a cidade de São Paulo, em 1986, Luciana reconhece a tranqüilidade oferecida pelo município, mas queixa-se da vida social pacata decorrente também do precário transporte coletivo.
“Gostaria de participar de um programa para diabéticos, mas não disponho de condução. Uma vez fui ao Centro sozinha e, ao descer do ônibus, caí porque o degrau era muito alto. Agora, fico insegura em sair. As atividades oferecidas pela universidade da terceira idade me interessam, mas a locomoção me impede de freqüentá-la”, conclui.
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