Geral

Rendimento do bauruense cai

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O rendimento médio do emprego formal em Bauru caiu de R$ 733,00 para R$ 664,00 de 1997 para 2000. Essa queda é uma das variáveis que contribuíram para que o município passasse de 63º para 65º no ranking de riqueza estabelecido pelo Índice Paulista de Responsabilidade Social (IPRS), que analisou os 645 municípios do Estado de São Paulo.

Com a redução, o indicador econômico da cidade diminuiu de 57 para 55, mas mesmo assim permanece acima da média regional, que é de 49. “Esses índices estão dentro da expectativa e mostram a perda da renda, que está achatada. Em contrapartida, houve um aumento brutal das tarifas públicas, que são controladas pelo governo. Congelamento de renda e alta de tributos são impactos fulminantes no orçamento”, explica o economista Fernando José Martha de Pinho.

Na opinião dele, se os dados fossem avaliados hoje, talvez indicassem uma situação ainda pior, já que na época da pesquisa a economia não estava “travada” como agora. Pensa de maneira semelhante o presidente do Sindicato do Comércio Varejista e do Conselho Municipal de Turismo, Walace Garroux Sampaio, para quem a redução nas variáveis de rendimento médio perdura até hoje.

“A classe média de Bauru teve uma perda de poder aquisitivo muito grande. Durante as crises enfrentadas pelo Brasil (troca de padrão monetário e congelamento, por exemplo), a cidade sofria menos porque o problema atingia mais a iniciativa privada e grande parte da classe média local é do setor público. A partir de 97, a crise se voltou para esse segmento”, destaca.

As privatizações, o fechamento de vagas nas estatais e a ausência de reajustes salariais dos funcionários públicos provocaram uma série de fenômenos em cascata, enfatiza Sampaio.

“Por essa razão, estamos buscando alternativas para o desenvolvimento de Bauru. O turismo pode ser uma delas. Também estamos tentando viabilizar a finalização rápida das obras do novo aeroporto. A vocação da cidade é para o setor de serviços, embora as empresas sejam muito bem vindas. Temos que encontrar novos vetores de desenvolvimento”, salienta.

Um dos segmentos mais obteve progressos na cidade é o de horticultura, que pode ser o responsável pelo aumento no consumo de energia elétrica no período de 1997 a 2000.

A opinião é do presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação de Agricultura do Estado de São Paulo, Maurício Lima Verde.

“A elevação (de energia) é muito pequena. A tendência é que Bauru não acompanhe outros municípios da região que fazem a agricultura, já que a cidade está se transformando num pólo pecuário. A pecuária é predatória porque tira o homem do campo”, lembra Lima Verde.

Segundo ele, na cultura de café, laranja ou cana, por exemplo, é necessário um homem para cada quatro hectares. A pecuária precisa de um para cada 200 hectares. “Isso não significa, porém, grau de desenvolvimento”, conclui. O secretário de finanças foi procurado pelo JC para comentar os dados, mas não retornou às ligações.

Comentários

Comentários