Regional

Fernão tem menor índice de longevidade

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Fernão – No Estado de São Paulo, Fernão (40 quilômetros a Oeste de Bauru) é o município que apresentou menor índice de longevidade, entre 1997 e 2000, segundo o estudo divulgado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). O município, de 1,5 mil habitantes, teve um aumento significativo das taxas de mortalidade infantil e perinatal (período anterior e posterior ao parto).

Na pesquisa, a fundação dividiu os 645 municípios do Estado em cinco grupos. O último é formado por 114 cidades que tiveram os piores resultados. Em geral, são municípios de pequeno porte, marcados pela pobreza e incapacidade local em atingir avanços socioeconômicos representativos. É exatamente nesse grupo, segundo o Seade, em que se encaixa a pequena Fernão. No indicador longevidade, por exemplo, o município somou apenas 33 pontos, ficando bem abaixo da média estadual que é de 65.

A taxa de mortalidade infantil na cidade (por mil nascidos vivos) passou de 41,6 para 49,4 e a perinatal aumentou de 35,6 para 61,0.

Para o prefeito Adélcio Aparecido Martins (PSDB), os resultados foram influenciados pelo pequeno porte da cidade, que emancipou-se em 1997 da vizinha Gália. “A nossa população é pequena, então se morre alguém, os resultados já crescem”, explica.

A mesma opinião é compartilhada pela secretaria municipal de saúde, Luciana Andery Amorim. “Nós temos um número muito pequeno de nascimento, porque a taxa de natalidade é feita por nascidos vivos, então qualquer óbito que eu tiver, o coeficiente fica alto”, justifica.

Outro fator, segundo ela, que pode ter puxado a taxa de mortalidade perinatal, é o elevado índice no município de gravidez na adolescência, considerada gestação de alto risco. Segundo ela, essa é uma característica de cidades agrícolas e pequenas como Fernão, onde as jovens casariam mais cedo.

Somado a isso, Fernão não possui hospital e apresenta uma característica peculiar, como explica o prefeito. “Como nós não temos hospital, também não temos nascidos em Fernão. Todo mundo nasce e é registrado em Gália ou Marília. Isso pode interferir nos indicadores.”

Essencialmente agrícola, Fernão conta atualmente com apenas uma unidade básica de saúde. Mesmo assim, a coordenadora afirma que o setor tem atendido a demanda da população. “Essas mortalidades são provocadas por causas inevitáveis e não por falta de atendimento”, relata.

Segundo o prefeito, os moradores são atendidos por meio do Programa Saúde da Família. Além disso, quando necessário, são deslocados por veículos da prefeitura para tratamento em hospitais de cidades vizinhas. “Quando se trata de um caso mais grave encaminha-se para o hospital de Gália, que está a 9 quilômetros.”

O prefeito admite que a cidade sofre com a falta de recursos e depende quase exclusivamente de repasses federais, o que dificultaria investimentos mais expressivos em alguns setores. Cerca de 80% da arrecadação da cidade são provenientes do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Ainda assim, na opinião do prefeito, apesar do município ser novo, pequeno, e relativamente pobre em termos econômicos, os reflexos da emancipação vem trazendo gradativamente melhorias para a população local, formada em sua maioria por idosos. “Antes, os recursos que eram do distrito nunca eram aplicados. A partir do momento em que Fernão se emancipou muitas obras foram realizadas”, afirma. “De forma geral, a população tem uma vida boa aqui.”

Segundo a pesquisa do Seade, o rendimento médio do emprego formal aumentou na cidade de R$ 343,00 para R$ 363,00, de 1997 a 2000.

Educação

Embora os indicadores de escolaridade no município tenham se elevado, segundo a pesquisa do Seade, a situação educacional de Fernão ainda preocupa. Pode ser observado, no período 1997-2000, um sensível aumento dos moradores que concluíram os ensinos fundamental e médio, entretanto as taxas de alfabetização diminuíram e a participação da rede municipal no ensino fundamental era inexistente.

Nesse ponto, o prefeito da cidade afirma que o quadro já teria se modificado, com a municipalização do ensino de 1.ª a 4.ª série a partir de 2001. Segundo ele, atualmente, a cidade conta inclusive com creches e salas de informática, mantidas pela prefeitura. “Eu não tenho nenhuma criança em idade escolar fora da escola”, assegura.

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Gália

A cidade de Gália (50 quilômetros a Oeste de Bauru), da qual Fernão era distrito até 1997, também apresenta taxas de mortalidade infantil e perinatal acima dos níveis regional e estadual e ocupa a 8.ª colocação no ranking das cidades que possui menor índice de longevidade. A taxa de mortalidade infantil, por exemplo, subiu de 36,4 para 40,3.

De acordo com a coordenadora municipal de saúde, Edyna Maria Yamanda, o município atualmente tem dado uma atenção especial para o tratamento das gestantes e crianças recém-nascidas, já que a taxa de mortalidade infantil e perinatal despertou preocupação do poder público.

Segundo ela, o problema estava sendo provocado pelo alto índice de gravidez precoce e nascimento de bebês prematuros. Entretanto, esse quadro estaria sendo revertido, atualmente, por meio de um trabalho de orientação às adolescentes

A coordenadora afirma que no ano de 2002, o índice de mortalidade infantil da cidade teria diminuído, fechando em 11,36.

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