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Bichos exóticos ganham espaço em casa

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Um gato? Um cachorro? Quem sabe um agaporne, uma iguana ou uma jibóia? É cada vez mais comum a adoção de exemplares de espécies silvestres e exóticas como animais de estimação. Porém, é necessário saber que a venda ou a criação de alguns tipos de bichos sem uma autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) é proibida por lei.

Além disso, é preciso muito cuidado no momento de escolher um animal silvestre ou exótico para ser um companheiro da casa. Cada espécie tem necessidades especiais, que devem ser seguidas para o bem-estar do bichinho.

No Brasil, manter um animal silvestre em cativeiro é crime quando a origem dele não puder ser comprovada, ou seja, quando ele foi comprado de um comerciante ilegal ou traficante de animais. Segundo o Ibama, um animal de origem legal é aquele adquirido em criadouro comercial devidamente cadastrado e registrado no órgão, autorizado para a reprodução e venda daquela espécie.

O artigo 29 da Lei 9.605/98, sobre crimes ambientais, diz que é proibido matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória sem permissão do Ibama. A condenação pode ser de multa e pena de seis meses a um ano. Também é enquadrado nesta lei aquele que vende, exporta ou guarda em cativeiro os animais.

Já para os animais exóticos, a regulamentação é diversificada. Existem espécies cuja importação, venda e criação são permitidas, como o ferret, a calopsita e o avestruz. Outros animais, como a iguana, ainda não têm seu comércio legalizado no Brasil, justamente pela falta de informação dos criadores e o grande número de abandono e maus-tratos a estes animais.

A curiosidade e vontade de possuir um bicho de estimação diferente acabaram criando um sério problema no País: o tráfico de animais. De acordo com o Ibama, estima-se que o tráfico retire anualmente das matas nativas cerca de 38 milhões de animais e que seja, atualmente, o terceiro maior tráfico do mundo, perdendo apenas para as drogas e armas. O número estimado de animais retirados da natureza é altíssimo, exatamente porque o número de apreensões é muito pequeno. Outro problema são as más condições de acomodação e transporte, que acabam resultando na alta taxa de mortalidade dos bichos.

Luciana Fernandes de Oliveira é proprietária de uma clínica veterinária que cuida apenas de animais exóticos e silvestres em Bauru. Ela ressalta que o tráfico destes animais afeta diretamente o meio ambiente, com a redução de sua reprodução e conseqüente diminuição do número de animais na natureza. Além disso, na maioria das vezes há impacto também em outras espécies que mantêm relações de dependência ou nas cadeias e teias alimentares.

“Quando uma pessoa chega na clínica com um papagaio, por exemplo, que foi comprado ou trazido por alguém, procuramos orientar e explicar como foi que aconteceu essa captura, a falta desse animal na natureza. Assim, com essa conscientização, as pessoas começam a tratar melhor seus bichos”, diz.

A veterinária explica que o mais importante, quando se procura um animal silvestre ou exótico, é estar bem informado das necessidades de cada espécie, para dar uma boa qualidade de vida ao novo companheiro. “Tem de haver consciência do animal que você está comprando. Uma orientação é procurar alguém que trabalhe com esse bicho, que vai poder te indicar se o animal que você quer é o mais indicado para a sua casa e seu estilo de vida, a alimentação, a necessidade de espaço físico especial para ele, os cuidados”, comenta Luciana.

Ela conta que todas as pessoas que visitam a clínica se apaixonam por jabutis. “Todo mundo se encanta, porque eles são uns bebês. Mas não podemos esquecer que eles chegam a mais de 12 quilos, ficam enormes, precisam de espaço, de terra, de um laguinho”. Outro animal que também chama a atenção e é fácil de ser encontrado são os tigres d’água, as famosas tartaruguinhas. Luciana comenta que sua venda não é autorizada pelo Ibama e as pessoas que criam estes animais não sabem que eles podem chegar a três quilos, com necessidade de um tanque ou aquário espaçoso.

“Uma iguana também, que muitas pessoas procuram. Elas podem chegar a 40 anos e até três metros de comprimento, com a cauda. Precisam de um terráreo grande, alto. Por isso, muitas pessoas soltaram suas iguanas quando viram que não iam conseguir cuidar”, afirma a veterinária.

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Diferenças

Animais domésticos: espécies que, no decorrer dos anos, foram integradas socialmente ao convívio dos homens, criando uma relação de estreita dependência. Os maiores exemplos são os cães e gatos, mas também podem ser citadas algumas espécies de pássaros, peixes ornamentais, vacas, porcos, galinhas e coelhos.

Animais silvestres: aqueles que pertencem a espécies nativas ou migratórias, que passam parte ou toda sua vida no território brasileiro. Não implica, necessariamente, que tenham nascido na natureza; podem ser animais criados em cativeiro. Seu acesso, uso ou comércio é controlado pelo Ibama.

Animais exóticos: espécies que, em geral, não habitam o território brasileiro.

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