RH & Tendências

Entrevista exige controle emocional

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Dentre todos os passos para se conquistar uma vaga no mercado de trabalho, a entrevista é certamente a mais temida pelos candidatos. “As pessoas costumam se apresentar tensas, com o coração disparado e as mãos suando”, diz a diretora de recursos humanos e treinamento de uma empresa do ramo, Sônia Ferraboli Telles.

Acostumada a realizar esse tipo de trabalho para as empresas que a contratam para selecionar mão-de-obra, Sônia salienta que não é raro ver candidatos “entrando em curto-circuito” na hora de ficar frente-a-frente com ela. “O profissional fica tão nervoso que esquece tudo o que tem de responder e não demonstra objetividade e segurança nas suas respostas”, destaca.

Esse nervosismo se deve, na maioria dos casos, ao caráter eliminatório dessa modalidade de avaliação. É nesse momento que o selecionador investe suas fichas para conhecer profundamente o candidato à vaga. “A disputa por uma vaga está cada vez mais acirrada e esse contato pessoal é de fundamental importância para descobrir se o profissional tem o perfil exigido pela empresa”, constata Sônia.

Em parceria com a psicóloga organizacional e mestre em ciências/gerência - educação Rosana Amador Ramos, ela está ministrando o curso “Controlando as suas emoções frente às entrevistas”. A primeira turma, com cerca de 35 pessoas, fez o treinamento neste mês. Mas um novo grupo deverá iniciar o curso em outubro.

Nas aulas, as profissionais dão dicas de como se comportar numa entrevista de emprego. “Qualquer pessoa tem qualidades para ser contratada. Ela precisa, apenas, controlar as suas emoções e passar a sua imagem da melhor maneira possível”, ressalta Rosana.

Vender o peixe

A psicóloga, que é professora universitária e de cursos de pós-graduação nessa área, alerta que é durante a entrevista que o profissional deve “vender o seu peixe”. “Isso significa ‘vender’ a sua marca, transmitir para o selecionador todos os seus verdadeiros valores e convencê-lo de que você é capacitado para ocupar a vaga oferecida pela empresa”, ressalta.

O fato é: como fazer isso sem resvalar no exagero, passando uma imagem que não condiz com o seu jeito de ser?

Rosana e Sônia explicam que, em primeiro lugar, a auto-estima do candidato deve estar afiada. “A pessoa tem de ter consciência do seu próprio valor e apostar na sua capacidade para estar ali, concorrendo com outras pessoas pelo emprego”, destaca Sônia.

É necessário, também, saber se portar. A situação, embora não seja nenhum “pesadelo” - como ressaltam Sônia e Rosana -, requer seriedade e uma postura adequada. “A pessoa deve ter em mente que todos os seus gestos estão sendo avaliados o tempo inteiro”, salienta Rosana.

Desta forma, o modo como o candidato se senta, o movimento das mãos (em muitos casos, ele não sabe o que fazer com elas), o olhar, a expressão facial, o tom de voz, cada um desses comportamentos são observados com atenção pelo selecionador.

Dali, ele tira várias informações que “denunciam” o perfil do candidato. O ideal é demonstrar segurança e ser objetivo nas respostas, sem cometer exageros nem querer parecer o que não é.

Outros toques que contam pontos importantes, segundo Rosana e Sônia: a maquiagem deve ser leve; minissaias são proibidas nessa ocasião; nada de calça jeans muito justa; os decotes também não são bem-vindos; sapatos muito altos devem ser evitados; não se apresente mascando chiclete nem chupando bala; se tiver tatuagem, evite mostrá-la nesse primeiro contato; o mesmo vale para o piercing; mantenha o celular desligado e não chegue atrasado ao compromisso.

Sônia salienta que o fato de ter filhos pequenos ou a pretensão de engravidar não atrapalham na hora da entrevista, como pensam algumas mulheres. “Hoje em dia, o mercado de trabalho é dominado pelo sexo feminino e esse tipo de fator não quer dizer nada, já que a profissional já provou que tem capacidade para dar conta da sua vida familiar sem prejudicar o emprego”, explica.

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