Ser

A loira do Tchan de Bauru

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 9 min

Ela não teve medo de correr atrás do sonho. Aos 21 anos, a estudante Kamila Padovini percebeu que preenchia os requisitos para participar do concurso que vai escolher a nova dançarina do grupo É o Tchan e entrou de cabeça na disputa. Mesmo sem ser profissional, ela passou por duas eliminatórias e foi para a finalíssima do concurso, disputada recentemente, em São Paulo.

Lá, a estudante concorreu com 125 meninas de todo o Brasil e, apesar de não ter sido escolhida entre as oito que ainda lutam pela vaga, conquistou fama e recebeu muitos convites para entrar na vida artística.

Nesta entrevista ao Caderno Ser, a simpática e carismática Kamila conta como foi chegar lá e fala sobre os planos para o futuro.

Jornal da Cidade - De onde surgiu a idéia de participar do concurso “A Loira do Tchan”? Kamila Padovini - Desde quando existe o É o Tchan - na época que surgiu, o grupo se chamava Gerasamba, quando tinha a Carla Perez. Eu a imitava e, quando ela saiu, teve o concurso do Tchan para substitui-la. Foi quando a Sheila Mello ganhou. Eu queria concorrer naquela época, mas não podia, pois só tinha 16 anos e eles exigem que seja maior de idade. Daí, eu pensei: “No próximo, se tiver, eu vou”. Eu nunca achei que a Sheila Mello fosse sair logo. Pensei que a morena que ia sair. Porque ela entrou primeiro. Quando eu fiquei sabendo, pensei: “Agora tem tudo a ver comigo”. Eu sempre adorei dançar, o ritmo de música que eu mais gosto é axé, então, falei: “Agora eu vou”.

JC - Como você ficou sabendo do concurso? Kamila - A Sheila Mello foi no Domingo Legal (programa exibido pelo SBT), falou que ia sair do grupo e que, a partir de maio, era para entrar no site dela para ver como era o regulamento e as inscrições. Eu fiquei acessando a página até que a notícia do concurso foi divulgada. Li o regulamento e vi que eu tinha todos os requisitos exigidos. Fui para Piracicaba, pois em Bauru não ia ter eliminatória. Meu pai me levou lá para fazer a inscrição. Tinha que apresentar atestado de saúde, para saber se podia fazer atividades físicas, pagar R$ 50,00 e preencher a ficha de inscrição, ser loira e maior de 18 anos. Na semana seguinte, começaram as eliminatórias. Na primeira etapa, eu fiquei em primeiro lugar. E tinha meninas da região toda: Ribeirão Preto, Limeira, Campinas.

JC - Quantas participaram dessa fase eliminatória? Kamila - Umas 50 meninas. Depois teve as outras eliminatórias, mas eu não participei, pois já estava classificada. Em seguida, teve a final regional, com 20 meninas participando. Desse total, apenas quatro foram classificadas e se apresentaram durante um show do É o Tchan, no Clube Atlético Piracicabano.

JC - Como foi essa apresentação? Kamila - Eles chamaram uma a uma. Nós dançamos seis músicas. Tinha torcida com camiseta, faixa, pompom, tudo quanto é coisa. Essas quatro estavam classificadas para a finalíssima. De lá, fomos para São Paulo competir. Como Piracicaba foi a segunda cidade a ter a disputa, nós tivemos que esperar até o concurso ser realizado em várias cidades do Brasil. Nesse meio tempo, aproveitei para me cuidar ainda mais: intensifiquei os exercícios na academia e ganhei cinco quilos de massa muscular. Eu sempre fui encorpada, mas precisava ficar mais ainda para a disputa.

JC - E o show, como foi a emoção de estar ao lado dos seus ídolos? Kamila - Todos do grupo foram muito legais. Eu gostei muito da Sheila Mello, ela é mais humilde. Ela falou com a gente, deu uns toques de como se portar no palco, falou para ficar calma, essas coisas.

JC - Mas, me fala sobre a disputa em São Paulo, como foi? Kamila - Em São Paulo, foi só o concurso, não teve show do grupo. A gente tinha um minuto e meio para apresentar a performance, o que é muito pouco, pois é a sua chance de mostrar o que sabe. Passa muito rápido. A hora que você acha que está embalada, acaba. Foram 126 meninas disputando e apenas oito foram classificadas. Eu não consegui ficar entre elas, porque foi muito difícil. Mas eu estou superfeliz de ter chegado até onde eu cheguei. Foi tudo devido ao meu talento, à minha garra, com fé em Deus, sem cunha de ninguém, sem padrinhos. O mais importante para mim foi que eu consegui chegar na final, mesmo concorrendo com dançarinas profissionais - eu gosto de dançar desde pequena, mas não sou profissional.

JC - O que você achou das meninas que estavam concorrendo? Teve alguma picaretagem? Kamila - Na disputa regional, eu não vi nada. Mas, em São Paulo, todo o mundo falou que teve marmelada. Lá em São Paulo, correu o boato de que uma das meninas chegou para concorrer em um avião fretado pelo É o Tchan. Não estou falando que eu vi, eu ouvi comentários de várias meninas, de que ela havia chegado nesse avião quando participou da primeira eliminatória, no Cabral, em São Paulo.

JC - Você ficou nervosa durante a apresentação? Kamila - Eu não fiquei nervosa antes da apresentação, pois confiava muito em mim. Eu pensava: “Se cheguei até aqui, é porque algum potencial eu tenho”. Eu não fiquei com medo de nenhuma concorrente. Era um monte de loira igual. Tive muita fé em Deus, pois o que é do homem o bicho não come. Eu imaginava: “Se for para ser meu, vai ser, nem que tenha mil meninas”. Mas, que bate um friozinho na barriga na hora de dançar, bate. Eu acho que o que me ajudou é que eu entrava muito confiante no palco. O mais importante é o otimismo e a fé. Nesse concurso, conta muito a simpatia. Eles julgam beleza corporal e facial, simpatia, dança e coreografia.

JC - Você mesma fez a coreografia ou teve a ajuda de alguém? Kamila - Eu sabia todas as coreografias do É o Tchan de cor e saltiado, e sempre dancei superbem axé. Mas eu tive ajuda da professora Magda, da Academia Marathon, e do Henrique, do grupo Detonaxé, de Bauru. Eu queria ter mais gingado ainda. Então, eles me deram a maior força. Aprendi bastante com eles, fiquei bem melhor do que eu já era.

JC - Você também participou de um programa de tevê... Kamila - Isso. Foi no Domingo Legal, do SBT, no dia 29 de junho. O pessoal de lá foi muito bacana comigo. Trataram as participantes do concurso como artista mesmo. Eu cheguei às 10h na sede da emissora e entrei no palco às 18h. Foi o dia que o Rick Martin estava lá, então atrasou um pouco. Eu fui a primeira a entrar, dancei a música “A nova loira do Tchan”. O Gugu falou o meu nome, as medidas e a cidade. A hora que você está no palco, é outro mundo, é tudo muito diferente. Aquele monte de câmeras, que ficam nos rodeando e nem deixam a gente dançar direito, o público te olhando, os artistas te assistindo, é uma loucura. Só caiu a minha ficha quando eu acabei de dançar. É uma emoção muito grande.

JC - A sua vida mudou completamente nesses últimos meses... Kamila - Coisas que eu nem imaginava acontecer, estão acontecendo. Quando eu entrei no concurso, eu entrei para ganhar. Eu sabia da dificuldade, meninas do Brasil inteiro concorrendo, são vários sonhos, mas eu sempre achei que ia ficar com o título era quem Deus quisesse. Eu tinha isso na minha cabeça: se fosse o meu destino, eu iria ganhar. Se eu não ganhei, Deus sabe o que faz. O meu destino está traçado desde que eu nasci. Para mim, isso agora é um currículo. O fato de eu ter chegado na final, é um prestígio.

JC - Então, no seu caso, aquele ditado “o importante é competir” se encaixa perfeitamente... Kamila - Com certeza. Ter chegado na final, sozinha - ninguém me ajudou, só minha família que me deu apoio - foi uma grande conquista. Nunca mais na minha vida eu vou esquecer. Para mim, eu sou a Loira do Tchan, eu sou vitoriosa, fiz meu papel bonito e não decepcionei ninguém.

JC- Você pretende investir na carreira artística? Kamila - Lá na final que eu participei em São Paulo, tinha bastante gente do meio, como o pessoal da revista Sexy, da tevê, de agências de modelo. Surgiram alguns convites para sair numa revista masculina, mas ainda não tem nada certo. Eu não sei se é isso o que eu quero para a minha vida - começar a minha carreira saindo numa revista dessas. No caso da Loira do Tchan, ao assinar o contrato para entrar no grupo, é automático: você tem que posar nua para a Playboy. Mas, aí é diferente, tem tudo a ver com a Loira. Outro convite que surgiu por causa do concurso foi para ir dançar no Japão. Um produtor selecionou dez meninas que ficaram entre as 126 finalistas para formar um grupo de dança. Eu estou empolgada. Só falta mesmo é o meu pai autorizar.

JC - Você canta também? Kamila - Não, não tenho voz para isso. Mas eu já fiz outros trabalhos artísticos: tenho três cursos de atriz - eu fiz com o Beto Silveira, com o Fernando Leal e com o Paulo Neves. Desde pequena eu já queria seguir carreira na área artística. É o sonho da minha vida.

JC - Agora que você estreou nesse meio, apresentando-se na tevê e no palco, onde você pretende chegar? Kamila - Para falar a verdade, ser dançarina não é exatamente o que eu quero. Eu participei do concurso para arriscar a sorte e ver se esse era o meu destino. Desde criança, o que eu sempre quis era ser atriz. Tanto que eu tenho três cursos de teatro. Eu já fui modelo também. Em 1998, eu fiz algumas campanhas para um banco, participei de desfiles de moda aqui em Bauru e na região. Mas, passarela não é meu forte, porque eu não sou alta e nem muito magra. Então, acho melhor ser atriz mesmo. Outra grande experiência que eu vivi foi ter saído na revista Atenção, em função do concurso. Isso abriu muitas portas para mim. Antes do concurso, eu era uma menininha normal. Agora, sou conhecida como a Loira do Tchan.

JC - Para se aperfeiçoar como atriz, o que você ainda acha que está faltando fazer? Kamila - Acho que estão faltando bons contatos. É o que meu pai sempre fala. Para entrar nesse meio artístico, tem que ter apadrinhamento. Eu não conheço ninguém que é artista. Então, para mim vai ser mais difícil. Mas, não importa. Eu vou tentar do mesmo jeito. Assim como eu cheguei na final do concurso da loira sozinha, com a minha fé, eu tenho certeza que um dia eu vou entrar em uma emissora grande - não precisa necessariamente ser a Globo. Quando você quer, o impossível é apenas um desafio. Querer é poder.

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