Após sofrer uma pequena operação, um interno da Fundação para o Bem-Estar do Jovem (Febem) conseguiu fugir do Hospital Estadual (HE) de Bauru, ontem pela manhã.
O jovem de 17 anos se desvencilhou da agente que o acompanhava sozinha, logo após o procedimento cirúrgico, que durou cerca de uma hora. Ao perceber a fuga, a agente – que teve o nome preservado – tentou alcançá-lo pelos corredores do hospital, mas ele passou pela portaria e se embrenhou no matagal ao lado.
A Polícia Militar (PM) foi acionada, mas até o fechamento dessa edição não havia localizado o rapaz. O caso foi registrado no 4º Distrito Policial (DP), que instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da fuga.
“Também vamos verificar se a segurança foi adequada. Ouvimos a agente e os motoristas que os conduziram até o hospital. Vamos emitir intimação para ouvir os superiores dela. Solicitamos ainda a ficha clínica do garoto”, explica o delegado-adjunto do 4.º Distrito Policial, Dinair José da Silva.
De acordo com a assessoria de imprensa do HE, o adolescente deu entrada no ambulatório às 9h30 para realizar um procedimento dermatológico. Tanto ele quanto a agente vestiram uma roupa específica para entrar ao centro cirúrgico.
Bisturi
Como o bisturi elétrico foi usado, o jovem não teve uma das mãos algemadas e presas na maca – medida convencional nestes casos - porque o metal poderia interferir no procedimento.
Mesmo assim, a assessoria do hospital confirma que correu tudo bem durante a operação, onde foi aplicada uma anestesia local no paciente. Com o término da cirurgia, o interno foi liberado para trocar de roupa no vestiário, assim como a agente.
Segundo ela, neste momento, o jovem conseguiu fugir. À polícia, a agente teria informado que, justamente nessa hora, ela iria apanhar as algemas para colocá-las no adolescente, mas não teve tempo e a fuga foi inevitável.
A diretoria do HE registrou um boletim de ocorrência por preservação de direito para que, diante de um agravamento do quadro clínico, o paciente não responsabilize a instituição por negligência.
O adolescente teria que trocar o curativo no local da lesão, além de adotar medidas de rigorosa higiene. Ainda segundo a assessoria do HE, o garoto não estava em tratamento, mas passou pelo hospital em outras ocasiões.
Escolta
Ontem, porém, o interno não foi conduzido com escolta policial. A assessoria da Febem alega que a presença da PM não foi possível porque, como o atendimento foi de urgência (o menor sentia dor), inviabilizou o agendamento da escolta. Diante da dificuldade, o juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, teria sido contato.
Ainda segundo a assessoria de imprensa da fundação, respeitando o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê a disponibilização de um agente para cada três adolescentes, o juiz teria autorizado o transporte.
A condução foi feita por dois funcionários de uma empresa terceirizada, que não aguardaram o término da cirurgia e a liberação do interno porque tinha outras incumbências programadas pela própria Febem.
A escolta, conforme reza resolução da Secretaria de Segurança Pública, deve ser solicitada à Polícia Militar (PM) com antecedência de cinco dias, esclarece o responsável pelo Pelotão de Operação Especial, tenente Jorge Luís Dias.“Temos que trabalhar com prazo porque adotamos um plantão de escolta para as duas penitenciárias, o Centro de Detenção Provisória (CDP) e o Instituto Penal Agrícola. São 39 policiais para atender tudo. Mesmo assim, analisamos pedidos de urgência. Não tivemos conhecimento dessa solicitação da Febem”, enfatiza.
A PM e a polícia Civil continuam buscando o paradeiro do rapaz, que é de Bauru e estaria internado por roubo. Quando ele for localizado, também será convocado para prestar depoimento no Distrito Policial, que deve encaminhar o inquérito à Justiça num prazo de 30 dias.
Até lá, a Febem dará continuidade à sindicância aberta para apurar a ocorrência. A medida de investigação administrativa é considerada satisfatória pelo juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer. Segundo ele, o processo contra o jovem será suspenso até que ele seja reconduzido à Febem.
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Terceira fuga
A fuga do interno da Fundação para o Bem-Estar no Menor (Febem) registrada ontem pela manhã foi antecedida por outras. Em maio, um menor conseguiu escapar da fundação pela terceira vez.
Numa das ocorrências, o adolescente escalou um muro de sete metros com uma corda de varal presa num chinelo. Numa outra, fugiu do banheiro do Fórum de Bauru, onde foi participar de uma audiência.
Três meses antes, em fevereiro, durante uma rebelião com refém, oito menores conseguiram escapar da unidade de Bauru. Sete deles foram recapturados pela polícia no mesmo mês. A assessoria de imprensa da fundação confirma três casos dessa natureza.