Bairros

Repetência no ensino médio volta a subir

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

A exemplo do Brasil, que não está conseguindo reduzir a repetência no ensino médio (antigo colegial) no ritmo desejado, em Bauru a taxa na rede pública no ano passado foi a maior dos últimos três anos. Em 2000, 7,99% dos estudantes repetiram, índice que caiu para 6,11% em 2001 e voltou a subir no ano passado, quando ficou em 8,28%, segundo dados da Diretoria de Ensino de Bauru.

Apesar da oscilação para cima, a repetência no ensino médio nas escolas estaduais da cidade ainda é muito inferior ao índice do Brasil, que foi de 20,2% no ano passado segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e um pouco melhor que a média do Estado de São Paulo, na casa dos 10%. Para Marilene Silva Guerrero, dirigente de ensino de Bauru, um dos principais motivos que levam a repetência no ensino médio é o desinteresse do aluno, o que é contestado pela Apeoesp.

“É uma fase que os alunos faltam muito à escola, principalmente os do período noturno. Se tiver jogo de futebol na quarta-feira, muitos não vão à aula. Na sexta é ainda pior. Às vezes o aluno vai até a porta da escola, mas não entra porque é o dia da paquera, de sair”, opina Guerrero.

No sistema de progressão continuada, adotado pela rede estadual de ensino, o aluno repete se não tiver pelo menos 75% de presença nas aulas e por baixo aproveitamento de conteúdo na 3.ª série do ensino médio. “As faltas refletem no aproveitamento, que cai”, avalia.

A entrada no mercado de trabalho também contribui para a ausência às aulas e, conseqüentemente, para a repetência, reconhece a dirigente de ensino. “Tanto que em escolas da área central, que recebem mais alunos que trabalham e vão direto para aula, o índice é alto”, frisa. Entre as escolas, a variação na taxa de repetência é grande.

Além disso, ela ressalta que a participação dos pais no ensino médio é muito baixa, o que também contribuiria para a repetência. “É preciso recuperar a auto-estima e incentivar o aluno porque no ensino médio é ele sozinho”, afirma. Com esse objetivo, desde que assumiu a Diretoria de Ensino, no mês passado, Guerrero está percorrendo as escolas para conversar com os alunos.

“Hoje (ontem) vou a uma escola de ensino médio. É uma conversa com o objetivo de levantar os problemas que impedem o estudo e melhorar a auto-estima dos alunos”, explica. Ela acredita que o programa “Escola da Família”, que determina a abertura das escolas nos finais de semana e o oferecimento de atividades, vai contribuir para a redução da repetência.

A dirigente de ensino afirma que as escolas precisam de equipes empenhadas na melhoria do ensino, o que é mais fácil obter com professores efetivos. “Com o concurso para a contratação de 14 mil professores no Estado, cujas inscrições podem ser feitas até o dia 26, no Banespa, isso vai melhorar”, diz. Os efetivos vão substituir os professores ACTs (Admitidos em Caráter Temporário). Mas ela ressalta que a rede estadual oferece condições de estudo aos alunos, como transporte aos alunos, inclusive aos estudantes do ensino médio que moram longe da escola, reforço escolar e recuperação.

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Outras prioridades

Por priorizar um bom bate-papo entre amigos, a estudante Dafne Marcela Ribeiro de Lima reprovou o segundo ano do ensino médio, no ano passado.

Ela levantava cedo, ia para a escola, mas ficava do lado de fora conversando. “Qualquer coisa me atraía mais que as aulas. Embora meus pais não tenham falado nada, me arrependo muito, porque tive de cursar um ano a mais. Além disso, é vergonhoso”, avalia ela, que tem 19 anos.

Mesmo assim, embora a opção tomada na época tenha provocado prejuízos na carreira escolar, resultou em benefícios pessoais, garante a estudante.

Já Alesandra Aparecida Dias de Carvalho abandonou a escola porque engravidou, aos 16 anos.

“Até tentei cursar o primeiro colegial (1.º ano do ensino médio), mas tive um princípio de aborto e, como não podia fazer esforços, abandonei”, recorda.

Depois de seis anos -- e mais dois filhos - ela decidiu terminar o ensino médio para entrar no mercado de trabalho.

Alesandra garante que se arrependeu de demorar tanto tempo para voltar a estudar porque perdeu o ritmo, mas tem convicção de que o esforço está valendo a pena. (Luciana La Fortezza)

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