Regional

Quadrilha causa prejuízo de R$ 300 mil

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 5 min

Jaú – A Polícia Civil de Jaú (47 quilômetros a Leste de Bauru) desmantelou ontem uma quadrilha de empresários que teria aplicado golpes, no valor total de cerca de R$ 300 mil, por meio da empresa Mercan Comercial Distribuidora de Peças Ltda, localizada no Jardim Carolina. O prejuízo teria atingido fornecedoras de peças de veículos de vários Estados.

Foram presos em flagrante e encaminhados para a cadeia pública da cidade Paulo José Vicente Rosseto, 57 anos, e Edson Luciano Correia, 31 anos. Um terceiro acusado, Dorival Baptista Ribeiro, 42 anos, estava fora da cidade ontem e teve a prisão temporária decretada. Até o fechamento desta edição, ele não havia sido localizado pela polícia e era considerado foragido.

Correia e Ribeiro são moradores de Jaú e Paulo, da cidade vizinha de Dois Córregos. A polícia investiga a participação da quadrilha em um golpe da mesma natureza realizado recentemente em Mineiros do Tietê.

Além da prisão dos acusados, a operação de ontem, que contou com cerca de 12 policiais, apreendeu vários equipamentos e peças automotivas, que teriam sido adquiridos através da prática de estelionato e estariam sendo revendidos na cidade.

A investigação contra a quadrilha foi encaminhada pelo 1.º Distrito Policial (DP) de Jaú e teve início há cerca de 30 dias, depois que a Mercan fechou as portas e vários protestos por não pagamento de duplicatas foram publicados contra a empresa no cartório da cidade.

Segundo o delegado Wanderley Benedito Vendramini, titular do 1.º DP, checando as informações junto ao cartório, a polícia descobriu que dois homens constavam como proprietários da empresa. “Só que são duas pessoas extremamente simples, humildes, sem condições financeiras para adquirir uma empresa. Inclusive uma delas é moradora de rua”, afirma.

A partir desse dado, a polícia descobriu que os dois homens participaram da compra da distribuidora como “laranjas” e teriam sido induzidos pelo trio de empresários a assinar os documentos, em troca de R$ 2 mil.

Segundo o delegado, a Mercan, funcionou por cerca de 25 anos ininterruptos em Jaú, antes de ser adquirida pelo grupo de estelionatários. O trio assumiu o negócio em julho deste ano, quando a distribuidora estava quase fechando. O grupo teria comprado a empresa com cheques pelo valor de R$ 70 mil, mas teria deixado de efetuar o pagamento, segundo Vendramini.

Os empresários acusados mantiveram a distribuidora em funcionamento por cerca de um mês e, durante esse curto período, teriam realizado grande quantidade de compras de peças de fornecedores de várias regiões de São Paulo e de outros Estados, por meio de cheques sem fundo ou duplicatas não honradas.

“Com dados cadastrais e referenciais ótimos com relação a Mercan, inclusive mantendo a conta corrente da empresa, eles conseguiam excelentes referências e começaram a fazer compras principalmente de peças para caminhões. Eles conseguiram comprar muita coisa e causar um prejuízo grande aos fornecedores”, explica Vendramini.

Repasse

Segundo o delegado, o material adquirido pelo grupo por meio da empresa Mercan era repassado sem nota fiscal para a loja Pajé Autopeças, onde estaria sendo comercializado. A loja, localizada na avenida Deputado Vien Nassif, Vila Industrial, é de propriedade do acusado Edson Luciano Correia. O empresário Dorival Baptista também teria participação nos negócios da Pajé.

Durante as investigações, a polícia descobriu ainda que, na compra da distribuidora Merca, teriam sido utilizados cheques da Transportadora Sou Press, de Dois Córregos, de propriedade do acusado Paulo Rosseto.

Apreensão

Durante a operação de ontem, a polícia foi até a empresa Pajé com um mandado de busca e apreendeu grande quantidade de equipamentos sem nota fiscal. “Nós apreendemos muitas peças que deram entrada na empresa Pajé via empresa Mercan”, explica Vendramini.

O material foi recolhido pela polícia e será acondicionado em um galpão, para posteriormente ser devolvido aos fornecedores lesados. “A partir da comprovação da propriedade desses produtos será feita a entrega”, afirma

O trabalho da polícia foi acompanhado por um fiscal da Receita. Segundo o delegado, a empresa Pagé será autuada e no caso de reincidência o local poderá ser lacrado. Na Transportadora Sou Press, de Dois Córregos, a polícia apreendeu terminais de computadores.

Os empresários devem responder por formação de quadrilha, cuja pena prevista vai de um a três anos de detenção, e estelionato, pena de um a cinco anos. “Cada golpe que eles aplicaram vai corresponder a um inquérito de estelionato”, afirma o delegado. O trio não tinha passagem pela polícia.

Segundo Vendramini, apesar da quantidade de vítimas envolvidas, até ontem não totalizada, até a explosão do caso não existiam denúncias criminais formalizadas contra o grupo. A reportagem tentou entrar em contato com os advogados dos empresários, mas eles não quiseram se pronunciar sobre o assunto.

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Mineiros do Tietê

Segundo o delegado Wanderley Benedito Vendramini, um procedimento semelhante ao realizado na empresa Mercan, de Jáu, já teria sido adotado recentemente pelo mesmo grupo de empresários, no município vizinho de Mineiros do Tietê. O trio teria comprado a empresa Vifran Transportes Rodoviários Ltda, por meio de dois “laranjas”, e utilizado o negócio para realizar estelionatos.

“Eles ficaram durante três ou quatro meses gerenciando a empresa Vifran e compraram o máximo de coisas possíveis”. Em seguida, conta o delegado, os empresários teriam fechado as portas e retirado todos os equipamentos do local. Meses depois, migraram para a Mercan, em Jaú.

“Com certeza, eles iam pensar em adquirir outra empresa, para continuar atuando dessa forma”, afirma Vendramini.

O delegado acredita que na empresa de Mineiros do Tietê os empresários teriam causado um prejuízo tão grande ou maior do que o de Jaú. Entretanto, o caso ainda será investigado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

A polícia também apura a possível participação do grupo em outros golpes da mesma natureza na região.

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