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Apanhadores de sobrevivência


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O Brasil é um país em desenvolvimento habitado por milhares de pessoas que, sem perceber, nitidamente vivem à sombra de uma situação caótica: o lixo. Atualmente, só a cidade de São Paulo, por exemplo, produz 14 toneladas de resíduos por dia, quantidade suficiente para poluir e degradar definitivamente o solo e os recursos naturais da região. Mas a situação é crítica em vários centros urbanos e até mesmo em pequenas cidades do Interior do País, que já não sabem mais onde colocar tanta sujeira.

Há muito tempo a palavra reciclagem está presente entre nós, mas muito se fala e pouco se faz, é a triste realidade em que nos encontramos. As autoridades se omitem, e não alcançamos saída para o problema. Muitas cooperativas de separação surgiram, e com elas os apanhadores, mas o problema ainda está longe de ser resolvido. A diminuição dos tributos municipais para empresas, cooperativas de coleta e separação, e até mesmo para as indústrias de reciclagem, seria um grande impulso para o crescimento efetivo do setor, reduzindo significativamente a quantidade do lixo despejado no meio ambiente incorretamente.

Em troca, as cooperativas e empresas de coleta teriam a missão de se organizar e, junto com a população local, recolher o lixo doméstico reciclável para comercializar o material. Após um trabalho de conscientização e divulgação, os apanhadores passariam nas residências e demais estabelecimentos, periodicamente, com seus carros, e recolheriam o material pré-separado pela população, assim gerando emprego e renda, formando um ciclo vicioso e benéfico para todos. Não mais seriam homens que andam à toa, sem destino certo, que vivem desordenadamente a procura de materiais como papel, lata, sem saber se irão encontrar o que procuram. Depois de uma organização e da divulgação com representantes de moradores, as cooperativas fariam o itinerário que cada apanhador teria de cumprir, uma rota a cada dia da semana ou do mês. As prefeituras continuariam a recolher o lixo biodegradável, que não fere tanto o meio ambiente, e poderia, sem danos tão comprometedores, continuar sendo depositado em novos aterros.

A população é o agente principal, que tem o seu papel fundamental na colaboração, pois sem a fonte funcionar não há fluxo. Separar o lixo é uma tarefa simples, basta ter em casa dois cestos respectivos: o lixo molhado e o lixo seco. No lixo molhado depositamos todo o resto de comida, alimentos, tudo o que já esteve vivo, e os papéis e plásticos que estiverem impregnados de sujeira e gordura. No lixo seco depositamos todos os tipos de material reciclável, como latarias em geral, papel, papelão, embalagens cartonadas, vidros, tampas e embalágens plásticas em geral, como garrafas, embalagens de xampus, desodorantes e cosméticos em geral. Até mesmo brinquedos, tudo muito limpo e livre de sujeiras ou gorduras.

Por fim, cabe aos empresários, a população e ao poder público acreditar nessa causa, colaborar, investir no setor rapidamente antes que o meio ambiente seja deteriorado. Não poluir é um dever de todos, e se cada um fizer a sua parte, todos seremos vitoriosos.

“Da natureza nada se perde, tudo se transforma” (Lavoisier)

Transformar a realidade é possível, basta consciência e ação.

A autora, Juli Moreira, é comunicóloga.

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