Nós podemos conhecer uma cidade pela pujança do seu comércio, da sua indústria e pela qualidade dos serviços que oferece. Uma cidade é boa quando tem bons hospitais, boas escolas, bons profissionais liberais que proporcionam à população, aos que aqui moram e aos que aqui chegam, opções de escolha. Conhecemos uma cidade não pela fachada das casas, mas pela limpeza das calçadas.
Uma cidade se conhece pelo perfume de suas flores e também pelo cheiro dos seus esgotos. Quando pode oferecer luxo com boas lojas, shoppings e bons mercados, mas sabe cuidar dos seus lixos e excrementos. Uma cidade é rica quando consegue conviver com seus pobres e seus diferentes e proporcionar vida com dignidade para todos.
Conhecemos um povo pela gentileza dos seus atos. Seja num atendimento público ou privado, num gratuito caminhar pelas ruas e pela simplicidade do sorriso de uma criança, livre, num parque ou numa escola. Uma cidade precisa ter uma história, mas necessita de um futuro. Ser administrada por idéias, sonhos e práticas conduzidos de forma ética e honesta. Uma cidade é a nossa casa e sabemos que não basta apenas tirar o pó da sala.
É preciso o trabalho e, também, o lazer e o prazer. O nível de uma cidade pode ser medido pelo nível de quem a visita e pela forma que são recebidos. Lotamos espaços para ver os artistas da novela ou os cantores da TV. São famosos e agradáveis. Nos dão entretenimento e emoção, em troca ganham nossa presença e nossos aplausos. Assim voltam e, acredite, nem sempre pelo cachê.
Bauru neste ano abre um dos maiores eventos literários do Estado e do País, o Circuito Paulista do Livro, com a segunda Bienal. A cidade foi prestigiada porque há dois anos demonstrou que é grande, não pelo número de carros por habitantes ou pelo crescimento de seus loteamentos de luxo, mas porque valorizou a cultura.
Moacyr Scliar (o mais novo membro da Academia Brasileira de Letras), Fernando Bonassi (roteirista do filme “Carandiru”, indicado para representar o Brasil no “Oscar”) e Pedro Bandeira (campeão de vendas na área infanto-juvenil) aqui vieram. Bem recebidos, voltaram e, hoje, trouxeram amigos: Ignácio de Loyola Brandão, Pasquale Cipro Neto, Carlos Heitor Cony e tantos outros. Vamos recebê-los. Eles nos darão em troca prazer, emoção e, de quebra, um alto grau de conhecimento.
É da característica de uma cidade uma equilibrada cota de futilidade, mas é vital para sua sobrevivência a conscientização e o compromisso de cidadania, que tanto ajudam a fazer nossas vidas melhores. E qualquer cidade no mundo, mesmo Bauru, não pode se dar ao luxo de abrir mão de conhecimento e cultura.
O autor, Luís Victorelli, é coordenador do Projeto ScienceNet - HRAC/USP-USC, presidente do Conselho Gestor do Canal Universitário de Bauru - CNUB - e conselheiro da Associação Brasileira de Jornalismo Científico - ABJC.