Rural

Criação de avestruz conquista região

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Carne vermelha, porém light, com níveis mínimos de gordura, rica em ferro, contém ômega 3 - substância que tem a propriedade de controlar o colesterol no sangue -, mercado interno em ascensão e compra garantida no Exterior. Com essas características, a estrutiocultura (cultura de avestruz) vem crescendo rapidamente no Brasil e já conquistou a região de Bauru, que possui clima e topografia adequados à criação dessas aves.

As informações são da médica veterinária Alexandra Peres, pós-graduada e especializada em estrutiocultura, que coordena um moderno incubatório localizado em Duartina (38 km a Sudoeste de Bauru). Segundo ela, os negócios nessa área estão em pleno crescimento e, em cerca de dois anos, o mercado deve estar totalmente consolidado no País. É uma ótima oportunidade de negócios para pequenos e médios produtores.

O avestruz atinge idade para o abate aos 12 meses, quando pesa aproximadamente 100 quilos. De acordo com Alexandra, é uma ave dócil e simples de criar. No último sábado, uma reunião da Associação dos Empreendedores Paulistas da Estrutiocultura (Aepe) foi realizada em Bauru, com mais de 100 participantes.

“Uma das decisões tomadas durante a reunião é que a associação promoverá abates experimentais para serem definidos parâmetros e pontos para comercialização. O objetivo principal é abrir o mercado na região. No Estado de São Paulo existem mais de 400 produtores e o mercado é altamente promissor”, destaca Alexandra.

A médica veterinária afirma que, no Estado de São Paulo, a região de Bauru é a mais promissora no que diz respeito à estrutiocultura. A Aepe conta com 39 associados, sendo 20 criadores instalados na região. A sede da associação é em Campinas, e já estão na reta final os preparativos para instalar uma regional em Bauru, em novembro.

“A estrutiocultura é uma grande oportunidade para pequenos e médios produtores. Para criar gado, por exemplo, é necessário ter uma grande quantidade de terra. Para se ter uma idéia, onde são criados três bovinos, cria-se 150 cabeças de avestruz. No Brasil, em média uma fêmea produz 18 filhotes por ano, ao passo que uma vaca produz um por ano.”

Com seu pescoço longo, porte altivo e altura que pode chegar a 2,70m, uma fêmea de avestruz adulta chega a pesar 150 quilos e pode viver até 70 anos. Sua vida reprodutiva ultrapassa os 30 anos. “É muito simples criar avestruz. A propriedade não requer grandes e luxuosas instalações. O que é realmente necessário é ter um bom manejo”, orienta Alexandra.

Nas propriedades que trabalham com cria e recria, os primeiros três meses de vida do avestruz são os que requerem mais cuidado. Segundo a veterinária, a ave precisa passar esse tempo sendo criada num barracão com condições específicas de temperatura. Após esse período, o avestruz torna-se uma ave rústica, criada a campo.

As aves são criadas em piquetes de aproximadamente 700 a 1.000 metros quadrados por casal, ou em colônias de 100 a 160 metros quadrados por cabeça. As instalações, segundo Alexandra, são simples, basicamente feitas com fios de arame liso e mourões de eucalipto.

“A necessidade da mão-de-obra também é simplificada, já que apenas uma pessoa é capaz de cuidar de todo plantel. A alimentação consiste em ração balanceada e pastagem, ou silagem e concentrados. O avestruz é uma ave muito resistente a doenças e requer poucos cuidados para o manejo”, detalha Alexandra.

De acordo com ela, o consumo da carne de avestruz ainda não é muito comum no Brasil. Porém, vem aumentando rapidamente. Em grandes centros como São Paulo, diversos restaurantes têm a carne desta ave no cardápio e a procura é grande. No mercado externo, o principal consumidor é a Europa.

“Mas o produto principal do avestruz é a pele, que sendo de boa qualidade, tem comercialização garantida em qualquer lugar do mundo. O couro tem design diferenciado, é altamente resistente e requisitado mundialmente pela indústria da moda. Bolsas, cintos e calçados de grifes internacionais confeccionadas com o couro do avestruz estão nas vitrines dos principais shoppings do mundo.”

Mais informações com a veterinária podem ser obtidas pelo telefone (14) 9717-8346.

Investimento

Célia Maria da Silva Melo, moradora de Piratininga, cria avestruz há quatro anos e afirma estar muito satisfeita com o que ela chama de investimento para o futuro.

“Eu comecei meu criatório com dois casais, e agora já tenho um plantel com 30 cabeças. São animais de manejo muito fácil e não dão trabalho. Minha propriedade é de apenas dois alqueires. Não é preciso um espaço muito grande para criar avestruz”, observa.

Célia conta que, antes dos avestruzes, tentou criar gado. Mas o espaço em sua propriedade é pequeno para isso. Depois de conhecer a estrutiocultura, se interessou e decidiu investir no mercado.

“É um mercado muito promissor. Aqui na região as pessoas ainda não conhecem direito essa cultura. Mas nas grandes cidades existem vários restaurantes que comercializam carne de avestruz. Mas mesmo aqui na região já tem bastante procura.”

A criadora vende um filhote de 12 meses por R$ 1.200,00, e uma ave com 90 dias por R$ 1.000,00.

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Origem

De acordo com a médica veterinária Alexandra Peres, especialista em estrutiocultura, o avestruz é uma ave originária da África do Sul, onde consiste no principal produto exportador. No Brasil, as primeiras importações de avestruz foram realizadas em 1995. Um dos precurssores da criação no País é Carlos Roberto Figueiredo.

“Em 1998 houve um ‘boom’ dessa cultura no País e aumentou muito a quantidade de criadores e produtores que viram na estrutiocultura um filão para realizar grandes negócios. Depois disso, o mercado interno não parou mais de crescer. Hoje em dia ainda são feitas algumas importações, mas é por necessidade de bagagem genética”, afirma Alexandra.

De acordo com ela, o Ministério da Agricultura libera a importação de ovos férteis e pintos de um dia. Animais adultos não podem ser importados. As matrizes reprodutoras utilizadas no Brasil passam por uma rígida seleção genética, segundo a médica veterinária.

No momento, o Ministério da Agricultura está fazendo uma mapeamento para saber o exato tamanho do plantel de avestruz no Brasil, que deve estar concluído até dezembro.

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