Cultura

Rock e black music invadem Bauru

Da Redação
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A galera que curte rock nacional e os fãs da black music têm dois pratos cheios esta noite: os shows das bandas O Surto e da Black Music. O grupo conhecido pelo refrão “que me pirou o cabeção” já tocou em Bauru há exatamente um ano, e volta a se apresentar na cidade, mas desta vez com novos integrantes. Uma segunda formação também caracteriza a banda Black Rio, que agitou as pistas de dança nas décadas de 70 e 80, e agora está de volta aos palcos.

O Surto, uma das bandas de destaque no cenário do rock nacional se apresenta hoje à noite, no Bar Antenna, em Bauru. Os autores dos sucessos “Veneno” e “A Cera”, prometem fazer um show agitado, reunindo músicas dos CDs “Todo Mundo Doido” e “Equalizando as Idéias”.

O repertório traz ainda as últimas composições do grupo, como “Litoral” e “A Discoteca”, que deverão fazer parte do terceiro álbum da banda. Segundo o vocalista Reges “Bolo”, o novo trabalho está previsto para ser lançado ainda ano.

Liderado por Reges “Bolo”, o grupo passou por algumas transformações e apresenta agora uma nova formação. Além do vocalista, O Surto conta com Jean “Magrão” (baixo), João Mauro “Gambá” (bateria) e Marcelo “Falafina” (guitarra). “São todos apelidos carinhosos”, brinca “Bolo”, o único que permanece desde a composição original da banda.

Na estrada há mais quase dez anos, o grupo ficou em segundo lugar no Skol Rock e participou de vários festivais, como Rock in Rio 3 e o Festival de Verão de Salvador. Contrariando a idéia de que o rock nacional se destaca apenas no eixo Rio-São Paulo, O Surto foi idealizado por dois cearenses, o “Bolo” e pelo ex-guitarrista da banda, Zé Wilclei.

Em 1993, eles decidiram sair do Nordeste para tocar rock em Brasília e depois em São Paulo. De acordo o vocalista, nesse período, os músicos enfrentaram algumas dificuldades. “Sou um cara que veio do Ceará e é impossível você não ter uma vertente nordestina. Foi difícil sair de lá e vir para cá, mas hoje me dia está tudo muito melhor”, aponta.

Quem for ao show poderá conferir a evolução do grupo, que, segundo afirma “Bolo”, traz um repertório mais sério. “Tiramos um pouco daquela veia humorística da banda. Não deixamos de tocar rock, mas algumas músicas trazem vertentes de hip hop e rap pesado”, garante.

O vocalista, que também é um dos compositores da banda, conta que as letras enfocam diversos temas, entre eles, destacam-se os românticos. “Se estou feliz, escrevo alguma coisa feliz também, as músicas são feitas de coração mesmo”, revela. A fórmula que alia rock e letras que falam de amor faz a cabeça de muitos jovens e adolescentes. “Existem até crianças curtindo nosso som”, comemora “Bolo”.

Black Music

A mistura de ritmos como samba, soul, jazz e funk caracterizam a nova safra do black music nacional, que vem dando novas feições ao pop brasileiro. Uma das principais representantes do gênero é a banda Black Rio, que faz show hoje à noite, no Serviço Social do Comércio (Sesc), em Bauru.

Famoso nas décadas de 70 e 80, o grupo volta aos palcos, trazendo na bagagem antigos sucessos e músicas do último CD “Movimento”. No repertório, destacam-se as recentes composições “Samba Blum”, “Sexta-Feira Carioca” e “Carrossel”, e também “Mr. Funky Samba” e “Maria Fumaça”, que já embalaram ao som de muitas pistas de dança.

Formada no final dos anos 70, a Black Rio tornou-se referência para a música brasileira daquela época e também dos dias atuais. Responsável por uma revolução no cenário musical, o grupo ganhou fama dentro e fora do País, influenciando grupos internacionais como Simply Red e Jamiroquai.

Arranjos de metais e batidas que misturam samba com outros ritmos - destacando-se o forte acento dançante - se transformaram em marcas registradas do grupo, que já gravou outros três álbuns: “”Saci Pererê”, em 1980; “Gafieira Nacional”, em 1078; e “Maria Fumaça”, em 1977.

Com a morte de seu fundador, Oberdan Magalhães - morto em 1983 num acidente automobilístico - a banda interrompeu seus trabalhos, até que, em 1999, o filho de Oberdan, William Magalhães, decidiu retomar as atividades da banda.

Além de William, somam-se à nova formação os L.F. Trick e Demetrius (trompetes) Cidinho (percussão, Glauco Links (saxofone), Claudinho Rosa (baixo), Celsinho (guitarrista), Marcos Kinder (bateria) e Lúcio Silva (trombone), este último integrante desde a primeira composição do grupo.

Antes de se apresentar com a nova formação, a banda realizou um trabalho minucioso de pesquisa para entender e recriar a fusão entre soul, funk, jazz e samba. O resultado é a reunião de elementos contemporâneos ao som, sem perder o clima dos anos 70, o que representa uma continuação do trabalho realizado pela formação original.

Com um som dançante e enérgico, a Black Rio é uma das raras bandas que possui a capacidade de incorporar as novas tendências sem perder suas raízes. Lançado em 2001, o álbum “Movimento”, que marcou a segunda fase da banda, contou com participações especiais de nomes consagrados, como Cassiano, Cláudio Zóli, Armando Marçal, Liminha e Sidney Linhares.

As composições são todas novas, com exceção apenas da faixa “Mistério da Raça”, que faz parte do repertório antigo. Artistas como Luis Melodia, Sandra de Sá, Max de Castro, Ed Motta, além do grupo Cidade Negra, já dividiram o palco com a Black Rio em suas últimas apresentações.

• Serviço

Show da banda O Surto hoje, às 21h, no Bar Antenna, em Bauru. Rua Antônio Alves, 19-39. Informações (14) 9795-5606. A banda Black Rio também toca hoje, às 21h, no ginásio do Sesc. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 3235-1750.

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