Política

Controle na Febem depende de gestão

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Os problemas envolvendo rebelião de jovens em unidades da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) só aparecem nas unidades onde ocorrem falhas de gestão ou envolvimento de servidores. A avaliação é do secretário de Estado da Educação e responsável pelo programa de atendimento a adolescentes infratores, Gabriel Chalita.

Ele esteve em Bauru ontem, acompanhando a primeira-dama do Estado, Maria Lúcia Alckmin, em visita de avaliação dos programas do Fundo de Solidariedade coordenado pela esposa do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Chalita disse que os conflitos ocorrem apenas nas unidades onde há negligência ou falha do servidor público.

Em sua avaliação, Chalita considera que nas unidades pequenas as questões são contornáveis. “Quando perde o controle, é problema de gestão ou de envolvimento com funcionários. Tivemos muitos relatos de funcionários que participaram de rebeliões, que participaram de maus-tratos”, avalia.

Ele menciona, entretanto, que os casos são minoria. “É uma minoria de funcionários que se envolve, mas ocorreu. E onde ocorre isso, ocorre rebelião. A grande questão é conseguir uma equipe coesa e que consiga desenvolver bem seu trabalho”, conta

Para o secretário, os conflitos são esperados por se tratar de programa que cuida de jovens infratores. “Problemas a gente vai ter porque são jovens que apresentam problemas. Mas se a unidade estiver funcionando bem, vamos resolver e com agilidade”.

Mas ele diz que as principais dificuldades estão na Capital do Estado, onde está situada a unidade de Franco da Rocha. Ela será desativada até o fim deste ano. “Hoje, a Febem tem 69 unidades e o grande problema está na unidade de Franco da Rocha. Nas outras, os problemas são menores e em algumas cidades a situação é muito boa. Bauru teve problemas em sua unidade, mas são questões contornáveis”, comenta.

Para ele, as rebeliões no Interior estão sob controle. “Em uma unidade pequena do Interior, quando surge algum problema não é algo que leva à morte de pessoas. São problemas relacionados a adolescentes que têm históricos complicados, famílias em situações difíceis, que têm problemas sociais, envolvimento com drogas. Os dados são de que 95% dos jovens chegam à Febem por causa da droga. É um processo”, argumenta.

O caminho, segundo o secretário, está na instalação de unidades de pequeno porte. “Melhorar a Febem significa não ter mais nenhuma unidade grande. Esse é o caminho que nós estamos desenvolvendo. Fechamos metade de Franco da Rocha e a outra metade será fechada no final do ano. O projeto educacional do Tatuapé é fantástico. Em Sorocaba não tivemos reincidência ainda. Guarujá também não tem reincidência”, defende.

Ele prega que, apesar dos últimos acontecimentos, a reincidência no Estado é baixa. “Em relação ao Estado inteiro temos reincidência de 20% entre os jovens. É a mais baixa do Brasil. A melhor realidade está aqui porque é o Estado que mais investiu, que mais construiu pequenas unidades. Em mais um ano não vamos ter mais nenhuma grande unidade”, justifica.

O secretário reitera que a sociedade deve receber os jovens de sua região e não rejeita-los. “Outro problema é que as cidades se recusam a receber seus próprios jovens. As cidades precisam receber seus jovens para que ele se reintegre à sociedade”, completa.

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