Tribuna do Leitor

HISTÓRIAS


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Sou leitor assíduo desta coluna e quero afirmar que a história de quinta-feira (dia 31/7/2003), é mesmo com “h” e não istória, pois é verídica; quanto das caravanas, já do relógio não sei: inclusive conheço Durga.

Como posso garantir? Eu, naquela época, era maquinista do D.P., depois R.Y., que eram prefixos daqueles trens, que tantas saudades deixaram. Pois bem, agora vou contar a minha história.

Fazia eu a escala de Três Lagoas-Águas Claras. Naqueles tempos, a luz elétrica era só até as 22h, pois era fornecida por um gerador a óleo diesel.

Bom, houve um concurso para auxiliar de maquinista e entraram na função diversos rapazes de Campo Grande. E nós, que arrumando a “traia” para pescar no rio que passava no fundo do “Pernoite 6 Rio Verde”, jogando conversa fora, falávamos que tal e tal quarto era assombrado, tanto que um daqueles jovens deu a cara, perdeu a “boa” e assim disse:“Isso é coisa de velhos, não existe assombração ......, é que vocês não têm o que falar....”

Bom, arrumamos a “traia” de pesca e à tardinha fomos ao Rio Verde que distava apenas uns 200 metros. Pescamos até lá pelas 22h, peguei um piaparara arrepiada, “daquelas que têm carne vermelha”. O Nicolau pegou um pintadinho de uns 6 kg e voltamos.

Eu voltava pilotando o trem que passava lá pelas 23h40. Chegando perto do pernoite, o Smit, maquinista de Campo Grande, pediu silêncio a todos e nos falou: “Vamos chegar quietos que eu quero ver uma coisa...”

Chegamos no maior silêncio e ele olhou no quarto e nos pediu silêncio, enfiou a mão no agibe (caixa dagua redonda), quando faltava água nos tomávamos banho de canecão. Ele deixou a mão por uns instantes dentro da água e depois a secou e entrou no quarto do rapaz que não acreditava em assombração. Lá dentro tremulava a luz de um toco de vela, e o mesmo dormia de bruços, o sono do justos coberto com uma colcha leve porque fazia aquele calorzão...

O Smit devagar descobriu-lhe as costas e com aquele mão fria segurou o seu pescoço com uma certa firmeza e depois foi descendo a mão pela suas costas nua. Bom, aí é que foi nossa surpresa. Ele acordou com aquela pressão na nuca, porém nem se mexeu, ficou estático, não abriu nem os olhos, começou a orar com o maior fervor: “Pai Nosso que estais no céu...”

Não precisa nem dizer, rompemos em imensas gargalhadas... “Aí meu, é você que não acredita em assombração!” Esta foi a minha história. (Josué Nunes Franco - maquinista aposentado da RFFSA - matrícula n.º 32027139)

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