O professor do Departamento de Ciências Humanas da Univesidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, Maximiliano Martin Vicente, acredita que a disputa acirrada entre os candidatos mais cogitados para vencerem a eleição do próximo ano pode abrir espaço para surpresas de última hora. Ele lembra que foi justamente isso o que aconteceu em 2000, quando Nilson Costa (PPS) surpreendeu os favoritos Tuga Angerami (PDT) e Pedro Tobias (PSDB).
“As eleições do ano passado também mostraram que há gente muito boa de voto. Nesse contexto, fico imaginando que se abre uma oportunidade para uma surpresa. Pode ser que nenhum dos que a gente está cogitando apareça. Me parece que o quadro aponta para essa possibilidade, embora, no caso de Bauru, e isso precisa ficar destacado, há pessoas com uma tradição de voto muito forteâ€, declara Vicente.
Para ele, as cassações dos últimos dois prefeitos eleitos de Bauru trarão conseqüências para a escolha do sucessor de Dudu Ranieri (PFL). “Creio que uma coisa ficou muito clara. As pessoas têm que pensar mais de uma vez em quem vão votar e têm que tomar cuidadoâ€, opina.
Vicente acredita, porém, que esses efeitos só poderão ser totalmente analisados após as eleições de 2004. “Depois de todo esse processo é que nós vamos avaliar se a população se tornou mais crítica ou não. Eu acho que ainda há um espaço de tempo muito longo, em que muitas coisas podem acontecerâ€, diz.
Enquanto Vicente aguarda uma surpresa, o cientista político e professor do Departamento de Psicologia da Unesp, Celso Zonta, tem uma visão diferente. â€œÉ muito provável que a população escolha os candidatos que são de seu melhor conhecimento. Dentro desse quadro, não há espaços para aventureiros e para figuras que não tenham tradição políticaâ€, prevê.
Previsões
Nesse contexto, Celso Zonta aponta o ex-prefeito e ex-deputado Tuga Angerami e o empresário Caio Coube (PSDB) como principais forças entre os possíveis pré-candidatos. “São duas pessoas preparadas para essa função de administração da cidade, que é um cargo extremamente complexo e difícil, mas ambos demonstraram capacidade política nas urnasâ€, opina.
Segundo ele, o prefeito Dudu Ranieri (PFL) aparece, no momento, como terceira opção nessa disputa. “Ele não tem unanimidade nos setores formadores de opinião, na elite da cidade, e é pouco conhecido na periferia. É alguém que está sempre presente no cenário político local, mas não com uma forte inserção. As suas candidaturas sempre tiveram baixa performanceâ€, diz.
Zonta lembra, porém, que Dudu terá um ano para mudar essa situação. “Ele precisa se fazer conhecido durante esse tempo e precisa obter sucesso significativo na sua administração, de maneira a mudar o quadro visual da cidade. Para isso, teria que fazer investimentos, mas não sei se há recursos para issoâ€, declara.
O cientista político acredita que o ex-prefeito Antonio Izzo Filho, que tenta reverter na Justiça o impedimento para que seja candidato, terá poucas chances caso concorra ao cargo. “As pesquisas vão começar a rodar por aí e a gente vai verificar concretamente o grau de rejeição do Izzo e o quanto a cassação produziu efeitos negativos na sua imagem. Na minha avaliação pessoal, ela está desgastadaâ€, calcula.
Para ele, as chances diminuem ainda mais com a candidatura da esposa do ex-prefeito, Rosa Izzo (sem partido). “Ela é menos conhecida e entraria nesse quadro de que não há espaço político para pessoas pouco conhecidasâ€, diz.
Celso Zonta também acha pouco provável que o ex-deputado Carlos Braga (PP) dispute a eleição para prefeito, embora ele tenha revelado essa intenção. “Acredito que ele acabe apoiando o seu parceiro de dobradinhas, que é o Tuga Angerami, com a perspectiva de que, se ele for eleito, conseguirá fôlego político para se candidatar a deputado novamenteâ€, justifica.
Alianças
Para os analistas, independente de quem seja o próximo prefeito, o escolhido não pode se isolar politicamente, como fez o ex-prefeito Nilson Costa. “Um candidato, para ter sucesso, também precisa demonstrar capacidade de aglutinação e liderança política e muito jogo de cintura no sentido de saber negociar com as outras instituições e os outros governos em benefício da cidadeâ€, afirma Zonta.
Maximiliano Vicente lembra que a formação de alianças exige, às vezes, concessões. “Elas são complicadas, pois nem sempre permanecem fiéis. O que tem que ficar muito claro para o próximo prefeito, de forma transparente, é que ele tem que se entender com a Câmara Municipal, inclusive negociando cargos. Isso é fato primário e, sem esse apoio, qualquer um vai se dar muito malâ€, declara.
Zonta diz que o futuro prefeito terá, ainda, a missão de recuperar a imagem política do município. “As cassações têm produzido prejuízos para o desenvolvimento da cidade, no sentido de atrair empresas, comércio e serviços. Embora Bauru ainda expresse uma liderança entre as cidades da região, ela tem perdido historicamente em relação a outras cidades de porte semelhante, como Maríliaâ€, diz.
Já Vicente acredita que os processos políticos podem ter efeito contrário. “As cassações mostram que aqui não há impunidade. No fundo, é isso que o investidor querâ€, afirma.
Legislativo
Os analistas Celso Zonta e Maximiliano Martin Vicente também acreditam que a Câmara Municipal sofrerá uma renovação superior em relação a eleições passadas. “Eu havia falado que a população não vai se aventurar com nomes novos para prefeito, mas, provavelmente, ela vai se aventurar significativamente com nomes novos para vereadoresâ€, afirma Zonta.
Para ele, poucos parlamentares se salvarão. “Uma parte deles têm atuado de maneira muito positiva perante à população, mas muitos terão dificuldades de reeleição. O vereador que demonstra incoerência política sofrerá o crivo das urnasâ€, prevê.
Vicente diz que a renovação será causada por um desgaste natural de uma parcela dos atuais parlamentares. “Além disso, esses últimos episódios mostraram atitudes de jogos de interesse terríveis. Com isso, creio que a população não compactuaâ€, declara.