Nas cidades onde as rodovias cortam o perímetro urbano, o número de atropelamentos é maior e o número de vítimas acompanha esse aumento. As passarelas, quando construídas, servem apenas para algumas pessoas que são conscientes do perigo. “A construção de passarelas exige a conscientização dos usuários que fazem a travessia. Do contrário, não resolveâ€, avalia o comandante da 1.ª Cia da Polícia Rodoviária, capitão Augusto Francisco Cação.
Exemplo disso, segundo o capitão, é a passarela instalada na rodovia Marechal Rondon em Bauru, próximo ao Parque Vista Alegre. “Os usuários chegam a cortar o alambrado instalado para dificultar a travessia pela pista.â€
Segundo dados do DER, nos trechos rodoviários situados na área urbanizada de Bauru, o movimento aumenta 155% e atinge 30 mil veículos por dia. São moradores de bairros que utilizam a pista rápida para não ter que enfrentar os semáforos e as paradas obrigatórias da zona urbana.
A construção de marginais nos acessos às rodovias Bauru-Marília e Bauru-Iacanga demandaria algo em torno de R$ 14 milhões, segundo cálculos do DER. A obra beneficiaria os moradores de bairros adjacentes, como Vila São Paulo e Jardim Ivone, evitando que eles se tornassem vítimas da violência no trânsito.
Em Lençóis Paulista, (43 quilômetros a Sudeste de Bauru), na rodovia Marechal Rondon, altura do quilômetro 299, a população sofre com a intervenção da estrada na área urbanizada. O trecho entre os bairros Corvo Branco e Cecap apresenta problemas de atropelamentos e foi batizado pela população como “quilômetro da morteâ€.
Nele foi registrada mais uma morte no último dia 5. Um caminhão de Tupã atropelou e matou Benedita Maria da Silva, 52 anos. No Natal do ano passado, Fortunato Gomes da Silva foi atropelado e morto por um veículo de Guarulhos.
Os constantes acidentes no local exigiram uma atenção maior da Polícia Rodoviária que prometeu intensificar o policiamento. O DER aguarda recursos para instalar um alambrado no canteiro central para dificultar o trânsito de pedestres e, conseqüentemente, os atropelamentos, no prazo de 90 dias, segundo a engenheira e diretora do serviço técnico do órgão, Isabel Catarina de Melo Sena.
A diretora acredita que, com o alambrado, a população vai ser obrigada a usar as passagens inferiores existentes naquele quilômetro. “No quilômetro 299 mais 160 metros existe um viaduto com uma passagem inferior para pedestre. Aqueles que usam o local como acesso evitam os acidentes.â€
Já no quilômetro 299 mais 323 metros existe uma ponte sobre o rio Lençóis, segundo ela, com passagem inferior para pedestres. “No 299 mais 600 metros há um acesso ao núcleo Jardim Primavera. Todos essas passagens evitam que o usuário faça a travessia da pista.â€
A diretora descarta a possibilidade da instalação de uma passarela superior. “O local possui um desnível muito grande, o que impossibilita a implantação desse tipo de equipamento.â€
Na opinião do comandante da 1.ª Cia da Polícia Rodoviária, no perímetro urbano as pistas duplas ajudam a evitar os acidentes. “Tem uma malha de escape maior. O condutor tem uma visão maior e pode desviar. Falta conscientização não só dos motoristas que trafegam em alta velocidade, mas também dos pedestres que cruzam a rodoviaâ€.
Gangorra
A pista dupla é uma aliada do sono. A tranqüilidade que ela oferece aos condutores faz com que eles se tornem negligentes no trajeto, alerta o capitão. “Nas rodovias em condições adequadas como a Bauru-Jaú e Rondon há uma diminuição no número de acidentes como colisões frontais e laterais, mas há um aumento no número de queda em canaletasâ€, informa o comandante da 1.ª Cia da Polícia Rodoviária, capitão Augusto Francisco Cação.
O sono é um dos problemas apontado como agente causador desse tipo de acidente. “O condutor não planeja sua viagem. Sai da Capital e vem para Bauru, por exemplo. Estômago cheio e cansado. No trajeto inicial, ele está acordado, depois, o sono vai atacando e ele não pára. Próximo de Bauru perde o controle do veículo e cai nas canaletas, tanto nas centrais quanto nas próximas ao acostamento, além de provocar as colisões traseiras.â€
É bem verdade, diz o capitão, que a gravidade dos acidentes em pista dupla, são, em sua maioria, de pequena proporção. “Uma colisão frontal ou transversal gera ferimentos graves, em alguns casos até a morte.â€
O sono do motorista é controlado pela superatenção que ele dispensa nas rodovias de pista simples ou naquelas onde o fluxo de veículos é muito grande. “Nas pistas simples, os condutores redobram a atenção, assim como em trechos onde ocorrem os congestionamentos.â€
A ultrapassagem em alta velocidade em rodovias com pista dupla também causa acidentes. “O motorista perde o controle da direção e aí cai na canaleta ou provoca uma colisão traseira.â€