Economia & Negócios

Artigo: Desemprego: a face desumana da globalização


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Vocês que fazem parte dessa massa Que passa nos projetos do futuro

É duro tanto ter que caminhar E dar muito mais do que receber E ter que demonstrar sua coragem à margem do que possa parecer E ver que toda essa engrenagem Já sente a ferrugem lhe comer.

Zé Ramalho - Admirável Gado Novo

Chegamos ao oitavo mês do novo governo com um dos maiores problemas sociais de todos os tempos: o desemprego.

Ele tem sido o grande desafio dos países ricos e se apresenta como o maior dentre os nossos.

Muito se fala sobre esse assunto e colocamos aqui algumas reflexões: o desemprego crescente em todo mundo, inclusive no Brasil, sinaliza a face de um sistema que não coloca o ser humano como prioridade, mas tão somente o lucro e a obsessão pela produtividade, num contexto de globalização dos mercados.

Segundo o estudo da OIT - Organização Internacional do Trabalho, há cerca de um bilhão de pessoas desempregadas ou subempregadas no mundo, o que representa aproximadamente 30% da força de trabalho. Os jovens são os mais atingidos. No Brasil eles constituem a metade do total dos desempregados.

As causas para o desemprego atual são complexas e atingem os países do mundo inteiro. A revolução tecnológica provocada pela sofisticação dos meios de comunicação e uma rápida e crescente informatização em quase todas as atividades produtivas, têm provocado uma constante substituição do trabalho humano pelas máquinas. O aumento da produtividade com objetivo apenas de maximizar os lucros, não tem levado em conta o desarranjo na vida de milhões de pessoas, que vêem diminuir as suas chances de sobrevivência e de realização pessoal. O desemprego, na opinião da maioria dos analistas, traz como conseqüências, o deslocamento populacional, a perda de identidade cultural, atinge a harmonia familiar, abala a autoconfiança das pessoas desempregadas, causa-lhes sentimento de culpa e de perda dos vínculos com a sociedade. No âmbito social, crescem as tensões, o clima de violência, além do contingente de desempregados somar-se à população não econômicamente ativa, aumentando a dependência dos bens produzidos por um número cada vez menor de trabalhadores.

Uma análise ampla do problema leva a discutir os aspectos conjunturais das economias de cada país. No caso brasileiro, a ausência de um crescimento econômico sustentado, não permite a absorção dos desempregados, nem gera novos postos de trabalho para os jovens que entram no mercado.

As constantes mudanças de regras tem ocasionado recessão e conseqüente diminuição das atividades econômicas, quebra de empresas, e portanto, aumento do desemprego.

Para superar o desemprego e assegurar trabalho para todos, será necessário uma mudança deste modelo econômico mundial. Não serão somente os governos, pois estes estão reféns do mercado, que irão sozinhos fazer o contraponto a tudo isso. Serão as empresas comprometidas com a valorização do ser humano, as instituições sociais livremente organizadas, as ONG’s, enfim todos os setores conscientizados da sociedade, que irão apresentar as alternativas necessárias.

Sem questionar o modelo globalizador e sem propostas abrangentes e mudanças profundas do modo de pensar e agir, não será possível vencer o desafio do desemprego. É hora da sociedade somar esforços em favor dos valores humanos.

O autor, Carlos Roberto Sette é consultor de empresas, mestre em gestão da Informação e do conhecimento.

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