A nutricionista Simone Tonelli Grassi, do hospital Unimed, salienta que o trabalho de convencer os pacientes a comer adequadamente exige muito carinho e paciência. Segundo ela, são freqüentes as situações em que é preciso ser “psicólogo” para garantir a boa nutrição de um interno.
“Um dos pacientes que mais nos deu trabalho foi um cozinheiro que esteve internado. Logo no início ele já anunciou que o cheiro da comida estava embrulhando seu estômago, que ele sabia que comida de hospital era horrível. De tudo o que oferecíamos, ele só tomava o leite”, conta.
Segundo ela, foram necessários três dias para convencê-lo a provar da comida do hospital. “Fomos trocando receitas com ele, fazendo algumas coisas, pedindo que pelo menos experimentasse. Foi complicado e difícil, mas ele saiu daqui comendo nossa comida”, comemora.
Outro problema comum, segundo Grassi, são os tabus que os pacientes trazem consigo. Ela cita o exemplo de uma paciente gestante. Era a primeira refeição dela depois do parto. Tão logo a bandeja foi servida, a tia da paciente mandou chamar com urgência a nutricionista, dizendo que a dieta estava errada.
“Ela ficou brava comigo. Como é que eu poderia mandar uma dieta geral para uma mulher que havia acabado de dar a luz? Porque, no tempo dela, a mulher só podia tomar canja - algumas por até 40 dias. Foi complicado explicar que hoje já não se faz assim e convencê-la de que não tem perigo a mulher comer normalmente”, afirma.