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O Copom e a recessão econômica


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Na última quarta-feira o IBGE divulgou as informações sobre o desemprego e a renda média do trabalho referente ao mês de agosto. Contra a maioria das expectativas dos analistas ligados ao mercado financeiro, o desemprego aumentou novamente depois de uma pequena redução em julho. O índice de 13% é um novo recorde para o mês de agosto, período em que tradicionalmente o emprego aumenta, em função da proximidade do Natal.

O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, político de formação, apressou-se a declarar que em ano de combate à inflação a queda do crescimento econômico é um fato da vida. Fazia com isto uma preparação contra os ataques que viriam à política econômica do governo e à sua promessa recente de um verdadeiro espetáculo de crescimento, nestes novos tempos em que vivemos.

Infelizmente, no dia seguinte, o Banco Central divulgava a ata da última reunião do Copom revelando uma preocupação do Banco Central com a queda dos juros e uma possível volta da inflação com a retomada do crescimento econômico em 2004. Esta posição de nossa autoridade monetária foi lida pelo mercado como um sinal de que a redução dos juros seguirá, a partir de agora, uma cadência mais conservadora.

Esta verdadeira paranóia com a volta da inflação é um sinal preocupante. Apesar da recessão econômica não ter dado ainda sinais de reversão e dos índices do último trimestre mostrarem uma inflação dos preços livres da ordem de 3% ao ano, estamos novamente diante da possibilidade do fim do processo de redução dos juros. Como pensar em um ano melhor nestas condições?

Para escurecer um pouco mais o horizonte do segundo ano de mandato do presidente Lula, os mercados internacionais deram sinal de instabilidade em função de três fatores: a disputa em relação às taxas de câmbio operadas na Ásia, a redução da produção da Opep e as elevações dos preços internacionais do petróleo e a queda sistemática da popularidade do Presidente Bush, ameaçando sua reeleição no próximo ano.

Neste ambiente internacional mais tenso, o risco-Brasil voltou a aumentar. Ele estava se aproximando dos 600 pontos e voltou para perto dos 700. Com isto, o ambiente de otimismo com a economia brasileira sofreu um baque, com queda dos preços das ações e elevação dos juros. Nada ainda assustador, mas um novo obstáculo, para que possamos suspirar com mais alívio apareceu no horizonte.

Como já previ nesta coluna, podemos terminar o ano de 2003 com um crescimento do PIB negativo: a primeira vez desde 1990. E a demora em reduzir os juros pode prejudicar o crescimento para o próximo ano, principalmente se a economia internacional entrar em crise em função de disputas comerciais. (O autor, Luiz Carlos Mendonça de Barros, é economista, publicador do site e da revista Primeira Leitura, ex-ministro das Comunicações e ex-presidente do BNDES)

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